<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Dois Contos</title>
	<atom:link href="http://doiscontos.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://doiscontos.wordpress.com</link>
	<description>O cantinho de um casal de contistas.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 08 Nov 2011 04:32:55 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='doiscontos.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://1.gravatar.com/blavatar/3387c687ae231f04faa6cd6f8f1e2753?s=96&#038;d=http%3A%2F%2Fs2.wp.com%2Fi%2Fbuttonw-com.png</url>
		<title>Dois Contos</title>
		<link>http://doiscontos.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://doiscontos.wordpress.com/osd.xml" title="Dois Contos" />
	<atom:link rel='hub' href='http://doiscontos.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>A Legião das Almas Perdidas</title>
		<link>http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/21/a-legiao-das-almas-perdidas/</link>
		<comments>http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/21/a-legiao-das-almas-perdidas/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 21 Jul 2011 19:45:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dan Ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[Lendas]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>
		<category><![CDATA[Tormenta]]></category>
		<category><![CDATA[Lannestul]]></category>
		<category><![CDATA[Legião das Almas Perdidas]]></category>
		<category><![CDATA[Lenda]]></category>
		<category><![CDATA[Oeste]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://doiscontos.wordpress.com/?p=374</guid>
		<description><![CDATA[Uma lenda do oeste* Do CCCLII Códice Eterno da Tradição e Conhecimento, Datado de 1352. Reza a lenda que em Lannestul, durante o reinado de Malagant, houve um tempo de perturbações horrendas. Como todo rei, Malagant O Amargo tinha inimizades &#8230; <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/21/a-legiao-das-almas-perdidas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=374&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong>Uma lenda do oeste*</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://doiscontos.files.wordpress.com/2011/07/lenda.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-379" title="lenda" src="http://doiscontos.files.wordpress.com/2011/07/lenda.jpg?w=580&#038;h=254" alt="" width="580" height="254" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Do CCCLII Códice Eterno da Tradição e Conhecimento, Datado de 1352.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Reza a lenda que em Lannestul, durante o reinado de Malagant, houve um tempo de perturbações horrendas.</p>
<p style="text-align:justify;">Como todo rei, Malagant O Amargo tinha inimizades sangrentas e nenhuma paz. Naqueles dias a fronteira entre Lannestul e Drael, um pequeno reino nos Picos dos Dragões que já não existe mais nos dias de hoje, estava em perpétua disputa. A então rainha dos draeses era Cherize A Astuta, uma notória bruxa de grande poder que adorava mandar suas tropas contra seus vizinhos. Cherize desprezava especialmente seu grande rival graças à sua filha, lady Ereshka, conhecida como A Dama Graciosa, que havia viajado à corte de Malagant e caído em suas graças.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-374"></span>Logo, a despeito de suas hostilidades, Malagant anunciou intenções de tomar Ereshka como sua rainha, a contragosto de seu Conselho. Amaldiçoando Malagant com todas as forças, Cherize viajou até a Eredane, a cidade do rei, e endossou a paz junto ao monarca e sua nova consorte, uma vez que naquele momento uma guerra entre os dois povos seria de péssimo alvitre. Malagant e a Rainha Astuta vinham lutando há tanto tempo que não conheciam outra forma de se relacionar. Assim, naquele punhado de anos, o rei permanecera com a esposa, rangendo os dentes no sono e chamando fantasmas ao campo de batalha. Ereshka velava seu sono intranquilo com grande preocupação.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas sua mãe nunca fora dada à preguiça. Ela abordou as tribos bárbaras do Tharn &#8211; selvagens cobertos de runas que viviam nas florestas pantanosas da região da Garganta da Serpente, nas montanhas do norte. A rainha bruxa convenceu os crédulos tharnen de que era uma oráculo da Divina Serpente e os fez atacar seu inimigo. A horda assolou as terras ao norte do alto burgo de Varnung, chacinando o povo e destruindo os fortes fronteiriços de Brachemir e Loghrin. Se deleitavam horrivelmente com seus massacres, uma vez que precisavam apenas de um pequeno incentivo, já que adoravam a Divina Serpente, a besta cruel e insaciável da bravura que exige sangue e carne como oferenda.</p>
<p style="text-align:justify;">Os templos de Keenn e Khalmyr, além dos intendentes e conselheiros reais, se reuniram na corte de Malagant para discutir como proceder a respeito dos pagãos tharnen. O Rei Amargo conhecia bem a verdadeira fonte desta nova ameaça, mas não ousava mencioná-la por medo da acusação contra sua esposa, já amada em Eredane e em todo o sul, e uma guerra contra Drael, na época uma linha de defesa bastante útil contra Tapista &#8211; o rei já tinha seu quinhão de problemas com os nordanos, gredões e krodos que sempre atacavam do Mar do Norte. Ele não iria mover espadas contra a Rainha Astuta; em vez disso, ia jogar o seu jogo.</p>
<p style="text-align:justify;">Pediu então permissão à igreja para lançar um ataque religioso contra Tharn, uma vez que aquele era supostamente um teste de fé, uma guerra de moralidade e medição de forças entre os deuses. Seus emissários foram de Eredane a Cabo Wyrmnir, na costa leste, munidos de ouro e papéis, e convocaram um poderoso bando de soldados de aluguel honrados que Malagant empregara inúmeras vezes contra os nórdicos. Eram chamados de Eternos, com mais de oito mil em número, pobres e famintos depois de meia década de serenidade, ansiosos por aceitar o acordo com o Rei Amargo.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao deflagrar das primeiras batalhas, o clero viu verdade nas palavras do rei e decidiu ordenar a junção das tropas reais e da igreja com os Eternos, para honrar o Escudo. A companhia lhes recebeu com desconfiança, mas juntos eles marcharam por sobre os tharnen, em escaramuças onde se fez notar a bravura e competência de um soldado. Varnen era seu nome, e Lobo Negro era seu epíteto. Ele passou de mero recruta a comandante dos Eternos, cuja lâmina nunca provara a derrota.</p>
<p style="text-align:justify;">Após sucessivas vitórias, a corte se reuniu na cidade de Braden, onde sempre se reunia, e os nobres conheceram o Lobo Negro. O arguto guerreiro impressionou a todos com sua habilidade e eloquência, recebendo muitos louros. Durante as cerimônias, foi-lhe dada a posição no exército real como comandante de batalhão, e atribuído o título de Ruína da Serpente. Suas lealdades se dividiram, pois ele mantinha seu alto posto de lider dos Eternos.</p>
<p style="text-align:justify;">Varnen permaneceu por um ano ao lado do Rei Amargo e os dois formaram um laço de profunda amizade. Eram como irmãos, e logo o Ruína tornou-se seu guarda pessoal. Mas chegou o tempo do Lobo regressar ao seu lugar entre os Eternos, que se viam em dificuldade; Malagant considerou algo apropriado, e abençoou sua partida. O belo soldado ostentava os dois brasões quando cavalgou para longe dos portões de Braden.</p>
<p style="text-align:justify;">Nos tempos que se seguiram, o Ruína da Serpente, junto aos irmãos Eternos e os aliados reais lannestuleses, enfrentou o inimigo sem descanso. A maré virava, e os tharnen recuavam sem parar de seus territórios enquanto as forças virtuosas reclamavam numerosas torres e fortes outrora sob domínio dos bárbaros. Contudo, o campeão teve um trágico destino &#8211; tombou em um cerco quando um de seus companheiros falhou miseravelmente em defender a sua esquerda. A recuperação do Lobo Negro era incerta.<br />
Quando chegaram as novas, o apreensivo Malagant foi obrigado a acalmar o anseio por ir ao campo, graças aos seus deveres para com o estado na época.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto isso, Cherize A Astuta ainda não estava saciada com o sangue de Lannestul. Seu ódio ainda a dominava, e ela queria desferir um golpe tão poderoso em Malagant que ele seria obrigado a se render. Seu plano maléfico era voltado ao seu próprio ventre, pronto para atingir sua própria filha Ereshka. Mais uma vez foi à turbulenta Tharn, ter com os bárbaros. Envolvida em seu manto de mentiras, lhes convenceu a clamar por uma reunião para trocar prisioneiros e falar de paz. Desta vez, vestiu-se de um disfarce profano, falando no idioma ofídico do Corruptor, pronta para trazer tempos difíceis e fazer tremer os reinos com sua maldade.</p>
<p style="text-align:justify;">A igreja de Keenn, cujo papel era político e militar, fez ser ouvida sua voz. O Exarca Thordan aconselhou a aceitação da proposta, e mesmo mas Malagant não era tolo. Ele sabia que Cherize a Astuta estivera preparando esta armadilha, mas ainda assim concordou bravamente com o esquema. Afinal, tinha os Eternos, e tinha Varnen, cuja lâmina nunca conheceu a derrota. Mas quando o arauto chegou a Braden com as condições, a postura do Rei Amargo passou a ser de tempestuosa indignação. Ao invés dele, os bárbaros exigiam Ereshka. Era sabido que, como em várias terras bárbaras, os tharnen valorizavam mais as mulheres enquanto figuras de autoridade. A Dama Graciosa, tão popular entre o povo, deveria ir ao Monte Presa da Serpente para se encontrar com os selvagens, onde discutiriam o tratado.</p>
<p style="text-align:justify;">Malagant estava pronto a manter uma posição irascível sobre o assunto, mas a rainha implorou a seu marido que permitisse. Ela desejava um fim ao derramamento de sangue, e faria qualquer coisa ao seu alcance para tanto. O Rei Amargo estava dividido &#8211; amava sua rainha, e tinha nas entranhas a certeza de que a Astuta estava por trás de tudo, mas imaginava que a bruxa ouviria ao menos as palavras de sua própria filha. E estremecia ao mero vislumbre de sua esposa em meio a inimigos. Endurecia e se comovia de novo, sem poder tomar uma decisão, e seu conselho arcou com o peso de seu mau humor.</p>
<p style="text-align:justify;">Eis que Braden, onde residia naquela época a corte, foi tomada de surpresa quando o Ruína da Serpente voltou de suas batalhas no norte. Ele usava uma máscara para cobrir seu terrível ferimento, mas vinha repleto de vivacidade; ainda era o mesmo Varnen. Soubera do sangue fervente do Rei Amargo, e foi ter com ele em particular, como irmãos de armas. Foi sua voz que determinou a decisão de Malagant &#8211; em uma cerimônia, o Ruína se curvou ante o monarca e, beijando o símbolo de Keenn, deu sua palavra perante a corte. Jurou permanecer ao lado de Ereshka em todos os momentos, e levar seu batalhão real, assim como a imponente Companhia Eterna, com ela para a Espinha. Garantiu que a rainha de Lannestul estaria segura, e Thordan lhe deu a Bênção das Armas, adicionando-a ao rol de brasões do Lobo. O campeão levava o medalhão de Keen no peito, o símbolo dos Eternos no estandarte e o urso de Lannestul no escudo.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim a expedição partiu, rumo ao norte, para encontrar as tribos tharnen logo abaixo da Presa, na Garganta da Serpente. Era a última vez que o Rei Amargo ou qualquer lanestulês viria sua rainha com vida, e todos passaram a chamar a Ruína por outros nomes &#8211; Lobo Traiçoeiro, Máscara Negra.</p>
<p style="text-align:justify;">Os homens seguiram a Trilha da Presa e acamparam numa das muitas gargantas. A guarda pessoal da Dama Graciosa, composta por soldados lannestuleses e Varnen, aguardava a chegada dos chefes de Tharn. Mas estes não vieram. Não se sabe exatamente o que aconteceu naquela enorme montanha, mas relatos imprecisos contam que a Companhia Eterna foi emboscada ou surpreendida por uma grande massa de guerreiros tharnen, pintados para a batalha, brandindo suas espadas rúnicas e emitindo brados de gelar os sangues. Os Eternos e as forças de infantaria leve formaram colunas desesperadas sob os estandartes, e cornetas de guerra ecoaram pelo vale, ouvidas por uma pequena força de elite de infantaria, retardatária por estar montada, ao longe. Subiram o monte em urgência, mas o terreno pedregoso minou seu avanço, e eles chegaram tarde demais. Cinco mil soldados Eternos e três mil lannestuleses jaziam chacinados até o último homem, embora as lendas afirmem que duas vezes este número dos tharnen foram mandados para a cova junto com eles.</p>
<p style="text-align:justify;">Ereshka e sua guarda também foram trucidados, dizia-se à boca miúda. E Varnen&#8230; ele sobrevivera. Fora encontrado vagando pelo campo de batalha, pedindo perdão a Keenn e Khalmyr por ter traído aqueles a quem mais amava. Eram estas as suas palavras, como ouvidas pelos homens de Lannestul. Mas, de acordo com algumas lendas, não foi apenas aquela cena que os sobreviventes testemunharam naquele dia&#8230; Os soldados e capelães de guerra teriam presenciado uma visita divina. A Vontade de Khalmyr, um arconte servil ao Senhor da Batalha Justa, desceu por sobre o campo de morticínio e veio a eles.</p>
<p style="text-align:justify;">Sua voz trovejou:</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Reúnam seus mortos e tragam-nos para o norte, onde uma tumba digna deles será construída. Seu sacrifício não será esquecido. A legião caída irá se erguer novamente para manter as forças da escuridão afastadas. Obedeçam, pois esta é a Vontade de Khalmyr.&#8221;<br />
O devoto duque Breorn liderou o esforço para levar os corpos dos Eternos caídos para as Montanhas do Chifre Alto. Alguns dos homens questionaram a sabedoria do seu general, mas não tinham eles presenciado o mesmo evento? Com o tempo, mesmo o mais rebelde dos guerreiros foi posto em ação pelo líder e seus seguidores, e pelos capelães de guerra, todos possuídos pelo espírito de Khalmyr.  Logo não havia mais nenhum Eterno no vale, que ficou conhecido como Vale dos Ossos, contendo os ossos dos bárbaros e homens dos <em>helds</em>¹ de Lannestul, e segundo as lendas mais sombrias, seus espíritos irrequietos.</p>
<p style="text-align:justify;">Os sábios de hoje, em todas as cortes de todos os reinos, discutem a veracidade desta história. Alguns dizem que o povo misturou as lendas para atribuir um significado sombrio ao infértil Vale dos Crânios e forçar a passagem de viajantes por vilarejos comerciais como Spragg e Varnung, ou para trazer alguma glória ao infeliz acontecimento que mancha a história de Lannestul. Aqueles que crêem afirmam que, à luz do grande sacrilégio, graças a uma grande interferência nos assuntos dos homens por parte de um agente da Serpente Corruptora &#8211; alguns assumem que seja o Lobo Traiçoeiro, outros argumentam que é uma referência à Astuta, mas a maioria concorda que uma gota do veneno de Szaass foi inoculada neste episódio -, e era a Vontade de Khalmyr que aqueles lendários guerreiros fossem honrados com o enterro de um soldado. Os clérigos e servos de Keenn indagados a respeito desmentem a palavra do Deus da Justiça, dizendo que foi o senhor das batalhas que criou aquele exército para os dias do juízo final, quando o exército Dele se levantará e marchará pelo mundo. Se a tumba existe de verdade, fica em algum lugar do Chifre Alto e nunca foi encontrada, para a tristeza de inúmeros exploradores e senhores da guerra procurando apoio bélico.</p>
<p style="text-align:justify;">Quanto ao restante das hordas tharnen, foram terrivelmente amaldiçoados com as temidas Dez Pragas. Os ventres de suas mulheres secavam e seus filhos murchavam como folhas ao vento invernal. Após algumas escaramuças menores, seus guerreiros perderam a coragem, sua natureza selvagem se esvaneceu e eles voltaram, como cães feridos, para a velha Floresta dos Espinhos. Não se teve notícia dos tharnen desde então, e é provavel que nem existam mais.</p>
<p style="text-align:justify;">À Dama Graciosa, não há mais menções. Alguns crêem que a mãe da amada rainha fora a responsável pelo seu desaparecimento. Nunca mais se soube da própria Cherize A Astuta após aquele dia, agora chamado em alguns tomos de O Dia da Legião das Almas Perdidas, e de forma mais sucinta em outros de O Dia Perdido.</p>
<p style="text-align:justify;">O guerreiro Varnen, Lobo Traiçoeiro, Máscara Negra, desapareceu nas montanhas, perseguido por uma companhia de soldados lannestuleses em fúria, incluindo o próprio duque Breorn que, segundo boatos, era um grande e querido amigo do Ruína da Serpente. Seu legado não morreu, mas em Lannestul ele foi chamado de Lobo Pérfido em Lannestul até muito tempo depois de sua provável morte, décadas depois.</p>
<p style="text-align:justify;">Por fim, o coração do Rei Amargo se encheu de tristeza e ele adormeceu ao ouvir as notícias da morte de Ereshka e da suposta traição de Varnen, ainda que nunca tivesse sabido, em detalhes, dos acontecimentos do Dia Perdido. Consumiu-se em febre e seu corpo, outrora poderoso, ressecou. Alguns meses mais tarde morreu na cama ardendo em febre, com uma praga amaldiçoando o Ruína da Serpente congelada em seus lábios pálidos.<br />
<em></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>¹ Exército camponês.</em></p>
<p style="text-align:justify;">* Esta história foi adaptada de uma lenda homônima da aventura de D&amp;D 3.5 <strong>Trilogia do Fogo das Bruxas: A Legião das Almas Perdidas</strong>, publicada pela <a href="http://www.jamboeditora.com.br/produtos/rf-aldap.htm" target="_blank">Editora Jambô</a>. Ela é original do cenário Reinos de Ferro, mas como eu mestro na minha versão do cenário Tormenta (quem lê esta birosca sabe disso), ambientei a lenda no reino de Lannestul, uma península inóspita e fria onde apenas os corajosos sobrevivem. A campanha tem ares de Crônicas Saxônicas, e a lenda veio à baila quando os personagens passaram pelo Vale dos Ossos, lugar enevoado com crânios antigos por todo lugar e alguns encontros aleatórios com mortos-vivos. =)</p>
<br />Filed under: <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/fantasia/'>Fantasia</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/lendas/'>Lendas</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/rpg/'>RPG</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/tormenta/'>Tormenta</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doiscontos.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doiscontos.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doiscontos.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doiscontos.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doiscontos.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doiscontos.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doiscontos.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doiscontos.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doiscontos.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doiscontos.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doiscontos.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doiscontos.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doiscontos.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doiscontos.wordpress.com/374/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=374&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/21/a-legiao-das-almas-perdidas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:thumbnail url="http://doiscontos.files.wordpress.com/2011/07/lenda.jpg?w=150" />
		<media:content url="http://doiscontos.files.wordpress.com/2011/07/lenda.jpg?w=150" medium="image">
			<media:title type="html">lenda</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/19d8516694d281818e5031159a2ed6f8?s=96&#38;d=wavatar&#38;r=X" medium="image">
			<media:title type="html">Dan Ramos</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://doiscontos.files.wordpress.com/2011/07/lenda.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">lenda</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Good times</title>
		<link>http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/15/good-times/</link>
		<comments>http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/15/good-times/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 15 Jul 2011 15:13:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dan Ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[Futurista]]></category>
		<category><![CDATA[Cyberpunk]]></category>
		<category><![CDATA[Festa]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://doiscontos.wordpress.com/?p=363</guid>
		<description><![CDATA[Este conto funciona melhor se você estiver ouvindo System Of A Down &#8211; B.Y.O.B. Obrigado. WOOOOOSH! O som dos planadores rasando por cima dos homens era quase ensurdecedor, mas Shin-ra não tava nem aí, deixava o harmonizador dos fones desligados &#8230; <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/15/good-times/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=363&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#993300;"><em>Este conto funciona melhor se você estiver ouvindo System Of A Down &#8211; B.Y.O.B. Obrigado.</em></span></p>
<p style="text-align:justify;">WOOOOOSH!</p>
<p style="text-align:justify;">O som dos planadores rasando por cima dos homens era quase ensurdecedor, mas Shin-ra <em>não tava nem aí</em>, deixava o harmonizador dos fones desligados e o rock rolando alto enquanto se divertia. Era o melhor no que fazia, e nada atrapalhava sua concentração.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-363"></span><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/15/good-times/"><img src="http://img.youtube.com/vi/zUzd9KyIDrM/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">A infantaria de merda percorria os becos fudidos daquela cidade em ruínas, sol vermelho castigando todo mundo, ruas de labirinto e escória em cada recanto, implorando pra morrer. A bateria do fuzil miava enquanto cuspia balas potentes de alto teor explosivo na cabeça de uma dezena de formas de vida escrotas.</p>
<p style="text-align:justify;">Alguns outros caras do seu time passaram por ele, que deu uma bem-vinda cobertura &#8211; depois cobraria umas doses de cada um. Lá em cima, os rapazes da infantaria mecha explodiam as naves inimigas como caçadores atirando em patos, passando em vôos cortantes e levantando a poeira do deserto onde passavam. <em>A vida é massa,</em> pensou Shin-ra.</p>
<p style="text-align:justify;">Em ritmo cadenciado, seu time perpassava o caminho e ia se infiltrando pela zona de batalha, circundando o centro da vila e epicentro da baderna. O soldado deu uma corrida curta, saltou para detrás de uma pilha grande de destroços onde alguns amigos se abrigavam, fez um sinal de positivo para outro time e jogou uma granada por cima da barricada. Acionou a câmera auxiliar em L na peça de armadura do cotovelo, e avistou a parábola certeira do projétil em direção ao exaustor de um mecha inimigo. Deu um assobio.</p>
<p style="text-align:justify;">BOOOOOM! Lançamento perfeito.</p>
<p style="text-align:justify;">Correram o mais rápido entre duas muretas e passaram por dentro de um prédio abandonado para atalhar o caminho, até que alcançaram a praça central do lugar, com uma catedral enorme de estilo gótico ao lado de um velho prédio da bolsa que um dia foi todo revestido de <em>vidratum</em>. Fizeram os sinais costumeiros, se prepararam para correr e alcançar a entrada secreta da base inimiga e detonar tudo por dentro, mas…</p>
<p style="text-align:justify;">FWOMMMM! A explosão cegou e ensurdeceu completamente Shin-ra.</p>
<p style="text-align:justify;">A armadura relatou poucos danos, mas ele sentia o chão embaixo de si desmoronando. Olhou ao redor, a vista ainda se acostumando, nanorrobôs reparando os ferimentos e eliminando os fosfenos. Estava em cima de um amontoado vacilante de metralha, uma ilha no meio de uma enorme cratera que desmoronava bem no meio da praça. Avistou sua acompanhante Niam, mas ela estava com a perna presa em uma enorme viga. Do fosso, emergia uma criatura colossal, com corpo filamentado de lagarto, gigantescas patas com garras e uma cabeçorra de dragão rugindo mais alto que todos os motores das redondezas. Mechas e caças planadores sobravam fogo na criatura, que os abatia como moscas usando as patas ou soprando lava quente em jorros inacreditáveis. A paisagem caótica ao redor de Shin-ra alternava entre fogo, explosões, areia e sol. O mundo tremulava.</p>
<p style="text-align:justify;">Com um sorriso no rosto, deu um comando mental e o punho da armadura disparou um gancho fibrilador acoplado a uma corda de titânio fibroso, atingindo a viga de metal que prendia Niam com um silencioso crus. Levantou e pôs-se a puxar, enquanto a parceira ajudava ampliando a força e energia cinética em 10x no seu próprio traje de batalha, e empurrando os destroços. O soldado parou um pouco para atirar em alguns aliens que tentavam se aproveitar de sua distração, mas logo a garota pôde se libertar. Com um poderoso impulso, saltou e venceu a distância entre os dois, sendo recebida com um rápido abraço. Ambos acionaram suas jetpacks e levantaram voo, indo se juntar a um mecha acima de um dos telhados próximo da cabeça do dragão.</p>
<p style="text-align:justify;">Entraram na unidade de combate Zeta 027B51 por um compartimento aberto entre uma rajada de gigametralhadora e outra, e assumiram o comando dos mísseis de ombro e pernas, e passaram a disparar. Aquilo já era quase rotineiro para Shin-ra, estava um nível acima. Quando o mecha voou em arco por cima do flanco da enorme criatura, mirou o míssil de ombro esquerdo num ponto-chave entre o olho direito e a têmpora, onde um ferimento previamente aberto deixava uma brecha. Disparou a arma, e o projétil mordeu a abertura e invadiu o corpo do monstro como um aríete, explodindo tudo entre a orelha e o cérebro do infeliz. Algumas naves foram pegas na trajetória de queda do lagarto, que levou todos os prédios ao redor ao chão.</p>
<p style="text-align:justify;">- WO-HOOOO! É isso aí! &#8211; vibrou Niam. &#8211; E agora, Shin?</p>
<p style="text-align:justify;">E aí aconteceu o que sempre acontecia. Do nada, de repente, Shin-ra perdia toda a confiança, toda a empolgação. Tudo começava muito fodástico, ele era <em>o cara</em>, mas no fim ele sempre percebia a verdade. Sempre notava que aquilo simplesmente não era o bastante.</p>
<p style="text-align:justify;">- Agora acho que vou pra casa &#8211; bocejou Shin-ra. &#8211; Tô meio cansado disso, e já tá quase amanhecendo.</p>
<p style="text-align:justify;">Sem muito entusiasmo, acionou mentalmente o comando EXIT da armadura e acordou, em uma das muitas cadeiras da enorme sala redonda de paredes revestidas de metal. Não que precisasse, mas aceitou a ajuda do operador para tirar o projetor (uma peça simples e semicircular de plástico, lembrando fones de ouvido mas não encostando no corpo) de perto da cabeça. Levantou, pagou pela noite e saiu.</p>
<p style="text-align:justify;">Lá fora, enquanto amanhecia e Shin-ra ligava a moto, percebeu que precisava de mais. Talvez fosse a hora das festas hardcore <em>de verdade</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele ia se alistar.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">Eis que no meio da correria tomo um punch de inspiração e simplesmente vomito o meu conto de abril (sim, abril!) da <strong>Liga Narrativa</strong>, um coletivo de blogueiros escrevendo tematicamente. Todos sem tempo, por isso temos pensado em mudar a política da parada. Mas é como se diz, tarda mas não falha, né?</p>
<p style="text-align:justify;">O tema desta vez foi <strong>Festas.</strong> Meu conto foi praticamente um trocadalho! XD</p>
<p style="text-align:justify;">Saca só os outros participantes, nem de perto tão atrasados como eu:</p>
<p>Italo – <a href="http://rascunhosdeumamente.blogspot.com/2011/04/cylon-party.html" target="_blank">Cylon Party</a></p>
<p>Mário (Jagunço) – <a href="http://www.dot20.com.br/2011/04/27/dialogos-feericos/" target="_blank">Diálogos Feéricos</a></p>
<p>Marlon – <a href="http://www.roleplayer.com.br/2011/05/liga-narrativa-fim-de-festa/" target="_blank">Fim de festa</a></p>
<p>Elisa &#8211; <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/14/party/" target="_blank">Party</a></p>
<p style="text-align:justify;">Allana &#8211; <a href="http://brainsstorm.wordpress.com/2011/05/25/aniversarios/" target="_blank">Aniversários</a></p>
</blockquote>
<br />Filed under: <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/fantasia/'>Fantasia</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/futurista/'>Futurista</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doiscontos.wordpress.com/363/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doiscontos.wordpress.com/363/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doiscontos.wordpress.com/363/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doiscontos.wordpress.com/363/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doiscontos.wordpress.com/363/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doiscontos.wordpress.com/363/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doiscontos.wordpress.com/363/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doiscontos.wordpress.com/363/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doiscontos.wordpress.com/363/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doiscontos.wordpress.com/363/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doiscontos.wordpress.com/363/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doiscontos.wordpress.com/363/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doiscontos.wordpress.com/363/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doiscontos.wordpress.com/363/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=363&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/15/good-times/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/19d8516694d281818e5031159a2ed6f8?s=96&#38;d=wavatar&#38;r=X" medium="image">
			<media:title type="html">Dan Ramos</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Party</title>
		<link>http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/14/party/</link>
		<comments>http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/14/party/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2011 20:30:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[Horror]]></category>
		<category><![CDATA[Liga Narrativa]]></category>
		<category><![CDATA[Boate]]></category>
		<category><![CDATA[Festas]]></category>
		<category><![CDATA[LigaNarrativa]]></category>
		<category><![CDATA[noite]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://doiscontos.wordpress.com/?p=359</guid>
		<description><![CDATA[O som cadenciado da bateria ribombava em seus ouvidos. O suor grudava os cabelos curtos em sua nuca, podia sentir o leve amargo da cerveja em sua língua e a queimação da vodca barata em sua garganta – flaming asshole. &#8230; <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/14/party/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=359&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O som cadenciado da bateria ribombava em seus ouvidos. O suor grudava os cabelos curtos em sua nuca, podia sentir o leve amargo da cerveja em sua língua e a queimação da vodca barata em sua garganta – flaming asshole. A boca seca, a sensação do couro falso da minissaia apertando as coxas, o carinho íntimo da pele áspera sintética contra a maciez de sua pele viva. O corpo balançava ao ritmo das guitarras e das notas altas emitidas pelo vocalista. Um rapaz de cabelos roxos brilhantes esbarrou de leve, sem querer, em seu cotovelo. Os olhos dela voltaram-se para ele ao sentir as milhares de faíscas dançarem quentes sobre seus poros, a sensação do calor percorrendo o braço, passeando pelas costas, dançando em círculos quentes até se desfazer em prazer entre suas pernas.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-359"></span>A mão fria de seu acompanhante tocou seu ombro chamando sua atenção para o rosto meio oculto pelas luzes intermitentes e brilhantes da casa de shows. Pequenas fagulhas geladas arrepiaram os pelos de seu braço a partir do ponto em que ele a tocava, passeavam na pele, e o arrepio enrijecia seus mamilos. Ela sorriu, sem sentir que o fazia, os lábios carnudos pintados de um preto desbotando. Ela aproximou-se. O rapaz de olhos negros e pele pálida passou o braço em sua cintura, trazendo-a mais para junto de si. Cheirava a uísque e tabaco. Abraçou-o, o corpo tremendo de prazer. A respiração quente junto à nuca dele. Inclinou a cabeça para trás. Um riff de guitarra soou misteriosamente alto, os acordes poderosos, preenchendo o ambiente de vida e fúria. As notas pouco a pouco foram se tornando ondas, cores, tudo brilhava e piscava, era difícil enxergar qualquer coisa além das borboletas de som.</p>
<p style="text-align:justify;">Sentiu lábios frios e macios beijando seu pescoço, traçando a linha da mandíbula, descendo até a clavícula. Uma sensação maravilhosa a preencheu&#8230; Fúria, som, luz, sombras, confundiam-se a sua volta. Ela era o centro, o cerne, cavalgava a tempestade, era o furacão em pessoa. O turbilhão girava ao redor dela, dentro dela e a atravessava. Era melhor que tudo que já experimentara&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Parecia que ia morrer, a cabeça doía, a luz a deixava pior, o estômago revirava e se contraía de um modo doloroso. O gosto amargo de bile estava em sua boca seca, a garganta ardia. Levantou-se com dificuldade do chão molhado. Com dificuldade, mancando foi se afastando do clube, um inferninho do centro da cidade. Olhou ao redor e pôde ver que não havia sido a única a se encontrar nessa situação confusa. Seu pescoço doía e se sentia fraca. Alisou os cabelos para trás com uma das mãos.</p>
<p style="text-align:justify;">É, aquela foi uma bela festa, verdadeiramente memorável, até a semana seguinte.</p>
<p style="text-align:justify;">****</p>
<p style="text-align:justify;">Este pequeno conto é parte da Liga Narrativa, uma confraria de blogs unidos pelo prazer de contar histórias. Apesar do atraso fantástico de quase dois meses essa é minha pequena contribuição para o tema: <strong>Festas</strong></p>
<p>Italo – <a href="http://rascunhosdeumamente.blogspot.com/2011/04/cylon-party.html" target="_blank">Cylon Party</a></p>
<p>Mário (Jagunço) – <a href="http://www.dot20.com.br/2011/04/27/dialogos-feericos/" target="_blank">Diálogos Feéricos</a></p>
<p>Marlon – <a href="http://www.roleplayer.com.br/2011/05/liga-narrativa-fim-de-festa/" target="_blank">Fim de festa</a></p>
<p>Allana &#8211; <a href="http://brainsstorm.wordpress.com/2011/05/25/aniversarios/" target="_blank">Aniversários</a></p>
<br />Filed under: <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/erotismo/'>Erotismo</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/horror/'>Horror</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/liga-narrativa/'>Liga Narrativa</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doiscontos.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doiscontos.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doiscontos.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doiscontos.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doiscontos.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doiscontos.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doiscontos.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doiscontos.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doiscontos.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doiscontos.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doiscontos.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doiscontos.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doiscontos.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doiscontos.wordpress.com/359/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=359&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://doiscontos.wordpress.com/2011/07/14/party/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/7e51286796c43c79e33f5a9cd1e8687b?s=96&#38;d=wavatar&#38;r=X" medium="image">
			<media:title type="html">Elisa Guimarães</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Pequenas sombras da guerra</title>
		<link>http://doiscontos.wordpress.com/2011/02/10/pequenas-sombras-da-guerra/</link>
		<comments>http://doiscontos.wordpress.com/2011/02/10/pequenas-sombras-da-guerra/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 10 Feb 2011 21:54:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dan Ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>
		<category><![CDATA[Tormenta]]></category>
		<category><![CDATA[Arton]]></category>
		<category><![CDATA[D&D]]></category>
		<category><![CDATA[Danna]]></category>
		<category><![CDATA[Elora]]></category>
		<category><![CDATA[Personagem]]></category>
		<category><![CDATA[Prelúdio]]></category>
		<category><![CDATA[Reiko]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://doiscontos.wordpress.com/?p=343</guid>
		<description><![CDATA[Antes de começar, cabem aqui algumas explicações necessárias para eu não me estender demais na história: basicamente, este é uma estória tirada de uma campanha de RPG, na minha versão do mundo de fantasia medieval Tormenta (clique aqui e aqui &#8230; <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2011/02/10/pequenas-sombras-da-guerra/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=343&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Antes de começar, cabem aqui algumas explicações necessárias para eu não me estender demais na história: basicamente, este é uma estória tirada de uma campanha de RPG, na minha versão do mundo de fantasia medieval Tormenta (clique <a title="Apresentação da minha versão do cenário de Tormenta" href="http://www.paragons.com.br/tormenta-d-apresentacao/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a> e <a title="Explicações sobre alguns reinos do mundo" href="http://www.paragons.com.br/tormenta-d-apresentando-o-reinado-parte-1/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a> para saber mais). Se quiser saber mais sobre Danna, uma das personagens deste conto, leia o prelúdio dela <a title="Leia a história de Danna, a bastarda, no Brainstorm" href="http://brainsstorm.wordpress.com/2011/02/08/a-boa-filha/" target="_blank"><strong>clicando aqui</strong></a>. Boa leitura!</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">No topo da torre frontal de observação, os poucos vigias do decadente feudo Aerathis notaram que a lua já estava, mais uma vez, quase cheia. A chuva martelava furiosa e incessantemente seus elmos, e o som dos trovões já se confundia com o ronco das suas barrigas vazias. Eles nem tentavam mais parecer confiantes quando sua senhora passava, porque mesmo dentre eles, que ficaram ao lado de lady Danna, a jovem filha bastarda do senhor, <em>mesmo dentre eles</em>, já pairava a dúvida se aquilo tudo valia a pena.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-343"></span>A guerra era parte do cotidiano do povo de Allania, ainda que o reino não estivesse tão perto dos grandes conflitos nos últimos anos. Era um reino de homens livres, que pelas Leis do Rei escolhiam os nobres aos quais deveriam seguir, mas na prática acabavam confinados às terras onde nasciam. Era uma nação com oportunidades para soldados da glória, mercenários da guerra e heróis dos vilarejos, porque as ameaças nunca sumiam &#8211; monstros saídos das montanhas e florestas mais densas, hordas de bárbaros vindos do norte, piratas, soldados sem pátria nas fronteiras, entre outros. Mas a esmagadora maioria dos homens que levantavam uma espada, o faziam para defender a sua terra.</p>
<p style="text-align:justify;">Ainda assim, a cada dia naquele cerco miserável, eles vacilavam. O destacamento de oficiais da coroa estavam ali para capturar a bastarda que perdera o pai e não queria entregar as terras que acreditava serem suas, e ela lutava, e suava e sangrava junto com eles. Mas <em>ela</em> tinha o espírito indômito, a bravura incansável, a jovialidade revolta. Eles estavam apenas <em>velhos e cansados</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Da muralha era pouco possível ver as dezenas de tendas dos atacantes, obscurecida com a fumaça dos braseiros que as aqueciam de dentro graças ao aguaceiro. Perto dali, dois viajantes tentavam, sem sucesso, fazer fogo. Suas roupas encharcadas e largas eram envoltas em capas escuras, e eles usavam chapéus de palha com uma camada de palha fofa e pesada com a água envolvendo a cabeça. Um era jovem e forte, olhos puxados vivazes e ouvidos atentos aos ruídos próximos que a chuva porventura não abafasse; o outro era uma elfa.</p>
<p style="text-align:justify;">- Dessa vez vamos ter que nos juntar aos <em>gaijin</em> &#8211; disse o homem, desistindo da fogueira.</p>
<p style="text-align:justify;">- Sem problemas.</p>
<p style="text-align:justify;">O recruta Parn estava farto de fazer vigília noturna nesse cerco estúpido e inútil, ainda mais nessa tempestade. Achava que os homens deviam entrar logo lá e tirar a bastarda teimosa dos seus lençois limpos à força, para que o exército fosse empregado em demandas que valessem a pena, mortes mais honrosas que uma febre do esgoto e uma cova rasa. Para ele, futuras aventuras com glórias e riqueza, mas <em>este</em> era um péssimo começo. Ele nem se importou muito quando alguém jogou um trapo branco e vermelho ao seus pés, mas pegou a coisa mesmo assim. Leu &#8220;viemos em paz&#8221; escrito em tinta no pano, quase sendo lavado pela chuva, e rapidamente fitou a floresta. Dois vultos observavam &#8211; seu primeiro instinto foi chamar os outros soldados e declarar ataque, mas decidiu ao invés perguntar quem eram aqueles.</p>
<p style="text-align:justify;">***</p>
<p style="text-align:justify;">O estranho <em>tamuran</em> chamado Reiko e sua protegida Elora partilhavam o fogo dos soldados alanianos, mas somente isso &#8211; víveres eram racionados. A elfa dedilhava suavemente sua cítara para passar o tempo, mas acabou se condolecendo dos soldados feridos e se ofereceu para usar as palavras de cura de sua deusa nos ferimentos. Tinha receio daqueles homens, que eram perigosos em qualquer ocasião, mas se o fato de ser uma sacerdotisa não lhes aquietasse as vontades, a presença intimidadora e estoica do guerreiro reforçava o argumento.</p>
<p style="text-align:justify;">- Qual é o seu destino? – indagou o oficial Fahn, mexendo em uma sopa rala de ervilhas. Era um homem alto e de barba vultosa.</p>
<p style="text-align:justify;">- Norte.</p>
<p style="text-align:justify;">- Onde, no norte?</p>
<p style="text-align:justify;">- Só norte.</p>
<p style="text-align:justify;">- Aedris?</p>
<p style="text-align:justify;">- Isso não lhe diz respeito.</p>
<p style="text-align:justify;">- <em>Como é?</em></p>
<p style="text-align:justify;">- Floresta de Radelathen &#8211; emendou Elora, sabendo no que aquilo ia dar. &#8211; Ouvimos falar que há elfos por lá.</p>
<p style="text-align:justify;">- Ah, entendo&#8230; &#8211; sorriu o homem, ainda olhando feio para Reiko. &#8211; há todo tipo de fadas lá, mesmo. E fantasmas. É uma floresta de loucos, onde só loucos e moribundos entram.</p>
<p style="text-align:justify;">Diante disto, alguns homens na tenda fizeram sinais religiosos, outros cuspiram, outros saíram para a chuva, praguejando. Um cachorro lambeu a mão de um enfermo ali perto. Elora só ensaiou um sorriso educado com a ignorância daqueles homens simplórios.</p>
<p style="text-align:justify;">- Bem, ouçam vocês dois &#8211; disse Fahn, levantando. &#8211; Pela manhã o barão Kelderic decidirá o que faremos com vocês. Provavelmente serão liberados para seguir seu caminho sem problemas, mas este protocolo é necessário para separarmos simples viajantes de espiões.</p>
<p style="text-align:justify;">- De qualquer modo, vocês seriam muito, mas muito úteis aqui. Você, guerreiro, parece ser bom com essa enorme e estranha espada, pelo que ouvi falar dos tamuran. E você, bela senhora, tem os dons dos deuses, de modo que não preciso falar mais nada. Pensem nisso e tenham uma boa noite &#8211; E saiu.</p>
<p style="text-align:justify;">Reiko se limitou a olhar feio para a entrada da tenda e aproveitar a trégua da chuva para sair.</p>
<p style="text-align:justify;">***</p>
<p style="text-align:justify;">Elora esperou um pouco, vestiu sua capa escura e se dirigiu à tenda do oficial, sem chamar atenção de ninguém. O encontrou com uma caneca de cerveja na mão, já sem a pesada armadura de malha nos ombros.</p>
<p style="text-align:justify;">- Se perdeu no caminho, madre?</p>
<p style="text-align:justify;">Fahn era mais esbelto que sua barba e modos sugeriam, com o peitoral e costas marcados com as típicas cicatrizes de um veterano. Os cabelos pendiam soltos nos ombros meio desgrenhados, e a elfa notou que ele não era muito bonito.</p>
<p style="text-align:justify;">- O senhor já mandou um emissário ao barão? &#8211; Elora se encostou de leve numa bancada e abraçou a si mesma, com frio.</p>
<p style="text-align:justify;">- Não, farei isto quando o galo cantar, amanhã. Posso saber o motivo da pergunta?</p>
<p style="text-align:justify;">- Nós não vamos sair daqui, vamos?</p>
<p style="text-align:justify;">- Sinceramente? &#8211; o rosto do oficial era um esgar. &#8211; Como eu disse, o exército vai querer vocês.</p>
<p style="text-align:justify;">- Há algo que eu possa fazer para que deixemos este lugar pela manhã sem muito alarde? &#8211; sussurrou, pensando no tipo de idiotice que Reiko faria ao saber dos planos do exército para eles.</p>
<p style="text-align:justify;">Fahn bebeu um gole de cerveja.</p>
<p style="text-align:justify;">- <em>Sempre</em> há.</p>
<p style="text-align:justify;">***</p>
<p style="text-align:justify;">Reiko podia suportar todo tipo de privações e percalços, mas não se sentia muito à vontade perto da sujeira e indisciplina dos <em>gaijin</em>. Preferiu a brisa fria e solitária da noite chuvosa por alguns minutos, e o som tranquilizador da floresta. Elora deveria estar com ele, mas ela merecia um catre menos deplorável depois de tanto chão duro e salteadores de estradas.</p>
<p style="text-align:justify;">Pôs-se a pensar em sua terra natal. Nos preceitos de seus ancestrais dracônicos, e como isso pouco adiantou quando a tempestade vermelha veio. Em como os dragões surgiram e simplesmente levaram os clãs para longe de sua terra natal ao invés de ficar e defender seus descendentes. Na sua adolescência em Khalifor, a sensação de estranheza com que todos ao redor olhavam aqueles refugiados e mesmo assim seu pai Ido continuara lhe treinando como se nada tivesse mudado. Na missão em Questor, onde ele havia tombado em suas mãos através do machado goblinóide, e em como havia jurado ao pai moribundo de uma elfa no mesmo vilarejo que ia protegê-la e encontrar sua mãe.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi quando ouviu o leve chapiscar da lama, escondeu-se atrás de uma árvore e aguardou. Em uma fração de segundo, sua <em>katana</em> estava tilintando com o aço de uma espada bastarda. Seu pai o havia ensinado a começar e terminar qualquer combate rapidamente, mas ele logo percebeu que aquele guerreiro não era inferior nem superior a ele &#8211; e a luta não deveria acontecer. Guardou a espada e ergueu as mãos em sinal de paz. Desconfiado, seu oponente continuou com a lâmina em riste, bufando e suando, mostrando os caninos levemente pontudos. Ele percebeu, pelos gemidos de cansaço, que se tratava de uma mulher.</p>
<p style="text-align:justify;">Percebeu, pelo tabardo rasgado, que era a jovem senhora daquele castelo sitiado.</p>
<p style="text-align:justify;">- Você pode me deixar passar, ou podemos lutar, porque eu <em>não vou me render</em> &#8211; seu olhar brilhava com tanta ferocidade quanto a pedra rubra em um pingente que tinha no pescoço e a outra engastada na empunhadura da espada.</p>
<p style="text-align:justify;">- Deve haver um bom motivo para abandonar seus homens.</p>
<p style="text-align:justify;">- Pode ter certeza. Eles estão se rendendo, de qualquer modo, e os cães do rei só querem a mim. Dá pra sair da frente?</p>
<p style="text-align:justify;">Reiko simplesmente deu um passo ao lado e fez uma mesura. A moça saiu correndo, a velha camisa de malha chacoalhando. Mais à frente, ouviu um relinchar e som de galope, enquanto a chuva voltava a cair.</p>
<p style="text-align:justify;">Pensou em como a vida é engraçada e voltou para a tenda. Viu Elora dormindo em um canto, armou sua esteira ao lado e deitou, olhando para o fogo e sentindo algo de estranhamente familiar naquela mulher. Talvez um dia, se eles se encontrassem novamente, descobriria o quê.</p>
<br />Filed under: <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/cronica/'>Crônica</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/fantasia/'>Fantasia</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/rpg/'>RPG</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/tormenta/'>Tormenta</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doiscontos.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doiscontos.wordpress.com/343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doiscontos.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doiscontos.wordpress.com/343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doiscontos.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doiscontos.wordpress.com/343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doiscontos.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doiscontos.wordpress.com/343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doiscontos.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doiscontos.wordpress.com/343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doiscontos.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doiscontos.wordpress.com/343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doiscontos.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doiscontos.wordpress.com/343/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=343&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://doiscontos.wordpress.com/2011/02/10/pequenas-sombras-da-guerra/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/19d8516694d281818e5031159a2ed6f8?s=96&#38;d=wavatar&#38;r=X" medium="image">
			<media:title type="html">Dan Ramos</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Love the way you die</title>
		<link>http://doiscontos.wordpress.com/2010/10/05/love-the-way-you-die/</link>
		<comments>http://doiscontos.wordpress.com/2010/10/05/love-the-way-you-die/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 05 Oct 2010 23:16:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dan Ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Horror]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa poética]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>
		<category><![CDATA[Clímax]]></category>
		<category><![CDATA[Decepção]]></category>
		<category><![CDATA[Desespero]]></category>
		<category><![CDATA[Luta]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://doiscontos.wordpress.com/?p=336</guid>
		<description><![CDATA[O carro atingiu um monte de latas de lixo e os gatos pularam, amedrontados. Janice freou tão bruscamente que a calota saiu quicando pela rua. Desceu do carro e fechou a porta com um estrondo, praguejando enquanto atravessava o jardim. &#8230; <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2010/10/05/love-the-way-you-die/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=336&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O carro atingiu um monte de latas de lixo e os gatos pularam, amedrontados. Janice freou tão bruscamente que a calota saiu quicando pela rua. Desceu do carro e fechou a porta com um estrondo, praguejando enquanto atravessava o jardim. Barnes veio correndo com alegria, mas a expressão da mulher era tão fechada que ele hesitou a meio caminho. A porta da frente estava entreaberta, mas Janice fez questão de chutá-la para alertar que havia chegado em casa. Barnes preferiu se encolher no canto da sala e observar sua dona gritar pelo marido pelos cômodos do andar de baixo.</p>
<p style="text-align:justify;">Encontrou Eddie estava na cozinha, sentado à mesa com uma cerveja na mão. Estava tão esfarrapado e ferido quanto Janice, com a camiseta branca ensanguentada e rasgada, e a calça jeans imunda. Janice tinha a jaqueta arruinada, deixando aparecer as tatuagens dos braços, mais visíveis que as do marido a esta altura. Ele a fitou com o semblante cansado, sem saber se a lágrima que teimava em rolar no rosto da esposa traduzia a fúria lívida do seu rosto ou a decepção escondida por trás dele.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-336"></span>Foi um longo, tenso e silencioso momento.</p>
<p style="text-align:justify;">- Você fugiu, Ed &#8211; encontrou forças para balbuciar.</p>
<p style="text-align:justify;">- Jan, eu&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">- Não se justifique! Não&#8230; não diga nada, desgraçado &#8211; ela lutava contra a fúria.</p>
<p style="text-align:justify;">Eddie tomou um gole com um esgar. Derrotado e ferido, em corpo e alma.</p>
<p style="text-align:justify;">- Esperava um pouco de compreensão de você, amor. Somos iguais, e eu disse um milhão de vezes que ia dar merda.</p>
<p style="text-align:justify;">- Compreensão? <em>Compreensão? </em>Não tem como perdoar você, maldito. Você nos deixou lá para morrer! Nossos amigos estão mortos agora, as aranhas devorando eles nesse exato momento, droga! Espera que eles te perdoem também?</p>
<p style="text-align:justify;">Janice estava gritando, e os vizinhos já se preparavam para, mais uma vez, ligar para a polícia. Eddie levantou bruscamente e fez frente à esposa.</p>
<p style="text-align:justify;">- Não era o que vocês queriam, Jan? Uma maldita morte honrada? Mas eu te digo, pra mim isso não tem nada de sacrifíciom em batalha, bela morte ou qualquer merda grega do tipo! Aquilo lá era um maldito suicídio e você sabia disso!</p>
<p style="text-align:justify;">- Era um suicídio! Sabíamos disso e era necessário! Agora a porra do locus foi pro inferno, Nuvem Vermelha foi destruído e a culpa é sua! Perdemos nossa família e agora todo mundo na nossa área está fudido, tudo porque um dia Smith aceitou você, um cachorro de rua de merda, e eu me afeiçoei à sua carinha de bebê!</p>
<p style="text-align:justify;">Barnes se encolhia cada vez mais com os gritos dos donos, agora mais inflamados que nunca. As crianças do bairro, curiosas com aquilo tudo, examinavam o Camaro vermelho amassado e imundo na frente da casa, e se apertavam no portão para tentar ver algo de esguelha da briga dos dois.</p>
<p style="text-align:justify;">- Nuvem Vermelha queria fugir, sua idiota! Ele armou tudo isto pra se mandar quando a gente estivesse encurralado pelas chusmas e Serpente Negra, e ninguém acreditou em mim quando eu disse!</p>
<p style="text-align:justify;">- Quê? &#8211; a revolta de Janice estava cada vez mais difícil de conter. Eddie quebrou a garrafa no chão &#8211; Você tá usando isso como desculpa esfarrapada! Está tudo perdido e você nem sequer admite a enorme cagada que deu!</p>
<p style="text-align:justify;">- Você tá puta da vida porque não morreu com os outros e agora o inferno inteiro tá atrás de nós, incluindo Rhodes e Espírito da Tempestade, isso sim.</p>
<p style="text-align:justify;">- Eu não vou mais ouvir isso. Foda-se, Edwin, e <em>morra sozinho como o covarde que é</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Janice era um vulcão prestes a explodir ao girar nos calcanhares. Ódio, desespero e sofrimento, os três demônios do homem. Se sentia traída, apunhalada pelo homem com quem havia escolhido passar o resto da vida, aquele que mais amava, por cima das leis e de toda a decência de seu povo, e contrariando todos os juramentos. O julgara adequado como companheiro e perfeito como alma gêmea, mas agora se revelava ardiloso e indigno de confiança. Estava pronta para ir embora, sumir e nunca mais voltar. Talvez isso fosse o melhor para seus protegidos, ou talvez fosse imprescindível que ficasse e lutasse, porque seus inimigos usariam de qualquer recurso para atingi-la naquelas circunstâncias.</p>
<p style="text-align:justify;">Até então Eddie tentava se controlar, conhecendo o temperamento da esposa. Mas aquelas últimas palavras o levaram ao limite.</p>
<p style="text-align:justify;">- Espere aí, sua&#8230; &#8211; ainda segurava o braço de Janice e se preparava para esbofeteá-la quando ela girou de punho fechado, acertando em cheio um estrondoso murro na bochecha de Eddie. O sujeito cambaleou para trás e caiu, e logo precisou se esquivar de um chute da mulher. A fúria consumia Janice.</p>
<p style="text-align:justify;">Eddie se arrastou alguns metros e, depois de uma cambalhota, levantou bem a tempo de defender um ágil golpe da esposa, que juntou as duas mãos e se jogou nele. Os dois rolaram até o corredor, e Janice acertou-lhe alguns socos, urrando enlouquecida. Eddie estava atordoado, se defendendo como podia, mas acertou uma joelhada no abdome da mulher e travou seu braço em uma chave que a obrigou a girar o corpo. Passou por cima da garota e lhe acertou uma cabeçada no nariz, de onde jorrou sangue farto. Janice chutou-lhe as partes baixas e o jogou longe. Ed rapidamente levantou, mantendo-se agachado e de prontidão.</p>
<p style="text-align:justify;">Marido e mulher se encararam, a cólera avermelhando seus rostos, as pupilas dilatadas, as veias saltando. Dois predadores natos. A besta interior lutava para se libertar, e ambos desistiram de contê-la. Unhas tornaram-se garras, pêlos cresceram por sobre a pele machucada, ossos estalaram enquanto os músculos cresciam grotesca e desordenadamente. Os dentes cerrados se afiavam, acompanhando a boca que se transformava em um longo focinho canino e as orelhas se projetavam para trás. Era o espírito mais horrendo e poderoso da batalha, o recurso final para qualquer um nascido como eles. Sem demora, os dois se chocaram com garras e dentes, juntando sangue e fúria. Uma estante tombou, quebrando anos e anos de lembranças em porta-retratos e badulaques. Sofás viraram, a mesa se espatifou e toda a casa ecoava com os sons de rosnados, pancadas e estilhaços daquela dança da morte.</p>
<p style="text-align:justify;">Em poucos segundos de luta, os dois caíram no chão, com as mandíbulas cravadas um no outro. Janice mordia a jugular do homem que amava, com sangue nos olhos e vontade de matar. Eddie puxava o ombro da esposa com vigor, tentando afastá-la enquanto os dendes pontiagudos penetravam fundo na carne. Barnes latia descontroladamente, sem saber o que fazer, e as pessoas já se amontoavam na rua, tentando decidir se alguém ia tentar separar o violento casal e se perguntando quando uma viatura ia aparecer. Enquanto isso, os dois rolavam pelo chão da sala destruída, se espancando enquanto tentavam desferir mordidas mais poderosas. Uma fagulha de humanidade passou por Edwin, e este afastou Janice com um empurrão súbito e o soco mais forte que conseguiu aplicar no tórax da amada. Ela foi jogada para trás e cambaleou, se segurando no que restara da mesa de centro. Agarrou a caixa inútil que fora a TV (estava quebrada mesmo) e arremessou no marido, que rolou para esquivar da caixa que acabou acertando o cachorro estrondosamente. Os latidos cessaram.</p>
<p style="text-align:justify;">A razão começava a fazer força para sobrepujar a raiva no coração do rapaz, e seu hediondo corpanzil começou a diminuir enquanto ele saltava para os lados para não ser atingido pelos objetos pesados que Janice, ainda completamente enlouquecida, arremessava. Começou a correr em círculos na sala, sendo acertado por uma ou outra coisa, até que a garota se cansou e novamente correu em sua direção. Os dois se chocaram novamente, e Eddie bateu violentamente contra a parede, quebrando vários ossos com o impacto. O remorso veio ao ver o marido inerte no chão, e sua forma diminuiu enquanto ela arfava e sentia a dor dos ferimentos de presas e unhas que não se regeneraria. Aos estalos e subitamente, os ossos de Ed voltaram ao lugar, e este levantou com raiva renovada. Mais uma vez os dois se jogaram ao chão, em uma forma intermediária que lembrava eles mesmos com músculos maiores e rostos bestiais, trocando socos e pontapés. Jan lhe acerdou dois murros ruidosos e rasgou parte de seu rosto com as garras, mas logo todo o ar lhe fugiu dos pulmões com uma sequência inumana de socos no estômago. Ela arfou e começou a apertar o pescoço de Eddie com as mãos. Os dois estavam ali deitados em um impasse, confusos quanto aos sentimentos, em meio a fotos de uma vida conturbada mas feliz enquanto eles enfrentavam o mundo juntos. Então, eles se abraçaram com força e começaram a se beijar com sofreguidão.</p>
<p style="text-align:justify;">Raiva se transformava em urgência. Seus corpos arderam da adrenalina ao fogo, da raiva à paixão. Era um turbilhão de sensações, uma inexplicável troca de amor e ódio, enquanto eles rolavam no chão e não se importavam em se cortar nos cacos de vidros ou apertar seus corpos combalidos. As roupas rasgadas foram afastadas onde era necessário e, mais uma vez, como em todos aqueles anos acontecia, a luta terminava no chão, em suor e lágrimas. Foi rápido &#8211; logo os dois arfavam, unidos em um abraço que misturava o sangue dos dois, derramado por eles mesmos. Mas algo ali estava diferente.</p>
<p style="text-align:justify;">Janice olhou o marido com ternura uma última vez, e viu sua expressão ir da dor à placidez quando lhe enfiou no pescoço a faca de prata.</p>
<p style="text-align:justify;">Longos minutos se passaram.</p>
<p style="text-align:justify;">Janice encontrou forças para se desvencilhar do cadáver do marido e sentou, ainda com a cabeça incapaz de articular pensamentos complexos. As lágrimas incontroláveis desceram, limpando o rosto sujo, deixando rastros na poeira e no sangue, mas ela ainda não podia se entregar. O instinto lhe avisou do barulho de sirenes se aproximando, e ela se deu conta de que apesar daquela luta ter durado uma eternidade, pouco tempo havia se passado desde que chegara. Levantou, então, foi ao quarto se vestir, enfiou algumas coisas na mochila e saiu da casa pelos fundos, correndo, roubando uma motocicleta do outro lado da rua, no jardim de um vizinho que ela conhecia há anos. Deu partida e disparou com velocidade, ignorando os gritos das pessoas nas ruas e as prováveis viaturas que teria de despistar.</p>
<p style="text-align:justify;">O que fazer agora? A estrada logo se descortinou à sua frente, mas ela não tinha ideia de para onde iria. Perdera tudo, e agora seria caçada até o fim do mundo. Seria mais fácil morrer, mas ela estaria desonrando sua mãe e sua antiga alfa, que lhe ensinara tudo que sabia sobre o povo antigo. E honra&#8230; Honra era o único valor pelo qual valia a pena lutar.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Era a única coisa que lhe restava.</em></p>
<br />Filed under: <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/drama/'>Drama</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/horror/'>Horror</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/prosa-poetica/'>Prosa poética</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/rpg/'>RPG</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doiscontos.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doiscontos.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doiscontos.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doiscontos.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doiscontos.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doiscontos.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doiscontos.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doiscontos.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doiscontos.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doiscontos.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doiscontos.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doiscontos.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doiscontos.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doiscontos.wordpress.com/336/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=336&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://doiscontos.wordpress.com/2010/10/05/love-the-way-you-die/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/19d8516694d281818e5031159a2ed6f8?s=96&#38;d=wavatar&#38;r=X" medium="image">
			<media:title type="html">Dan Ramos</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>In vitro</title>
		<link>http://doiscontos.wordpress.com/2010/06/30/in-vitro/</link>
		<comments>http://doiscontos.wordpress.com/2010/06/30/in-vitro/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Jun 2010 15:21:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dan Ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Liga Narrativa]]></category>
		<category><![CDATA[Futurista]]></category>
		<category><![CDATA[Platão]]></category>
		<category><![CDATA[Prisão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://doiscontos.wordpress.com/?p=258</guid>
		<description><![CDATA[Ela conheceu o mundo de forma simétrica. Ao nascer, era branco. Sua mãe tinha dedos de metal que lhe puseram com delicadeza em um ninho de lençóis perfumados. A primeira dor, do perfurar de orelhas, e muitas dores seguintes, vinha &#8230; <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2010/06/30/in-vitro/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=258&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Ela conheceu o mundo de forma simétrica. Ao nascer, era branco. Sua mãe tinha dedos de metal que lhe puseram com delicadeza em um ninho de lençóis perfumados. A primeira dor, do perfurar de orelhas, e muitas dores seguintes, vinha acalentada por Don´t Worry Be Happy. O mundo começou a desabrochar cedo, com vislumbres de todos os lugares, limitados apenas aos vértices. Gastronomia, programas de auditório, internet. Tantas pessoas diferentes, tantos momentos divertidos, um universo inteiro para se observar. Todos os dias sua mãe metálica trazia suas refeições através de uma pequena abertura em uma das janelas da sua vida, e quando era preciso remediar as doenças, luzes muito ofuscantes lhe distraíam enquanto os remédios não chegavam. Ao seu próprio jeito, ela participava de tudo, olhando, dançando e se divertindo com as pessoas e coisas ao seu redor.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-258"></span>Era um mundico feliz.</p>
<p style="text-align:justify;">Tudo ficou escuro. Era um novo programa noturno? Um show surpresa em todas as dimensões? Uma nova constelação para observar no planetário? Ela ficou empolgadíssima. Mas os minutos passaram, e nada aconteceu. Súbito, um feixe de luz, e a realidade se descortinou à sua frente. Seu mundo agora tinha apenas cinco lados, e do nada ela se sentiu como se estivesse em uma caixa! Demorou muito para ter coragem, mas por fim venceu o medo e deu um passo à frente.</p>
<p style="text-align:justify;">Era tudo muito, muito estranho. Um mundo maior se abriu diante dela, com paredes muito mais distantes e um terrível vento frio. Contudo, essa nova realidade era fria e estática &#8211; paredes cinzentas, chão de metal e um teto sem graça. Onde estavam as imagens com os campos de girassóis dançando em um só ritmo? E as pessoas rindo, brindando em uma varanda com vista para a Torre Eifel? Por que nada aparecia? Por quê? Por quê?</p>
<p style="text-align:justify;">Então ela saltou para trás. Um bando de homens em trajes de combate de Halo surgiu do nada, perseguindo homens vestidos em jalecos azulados. As metralhadoras fizeram seu trabalho, e os cientistas caíram como moscas. Os soldados a viram &#8211; ela tentou correr, mas foi alcançada. Sentiu pela primeira vez na vida um toque rude como só via nos filmes dos anos 50, onde todos fumavam em cigarrilhas &#8211; mas não havia charme ou romance ali. Um dos homens de metal a puxou violentamente e lhe fez perguntas grosseiras, que ela não conseguia prestar atenção graças ao desespero. Tanto tempo desejando realmente ser ouvida por alguém, e nesse momento sua voz estava falhando. No fim, ela só conseguiu dizer uma coisa:</p>
<p style="text-align:justify;">- Nem Deus afunda o Titanic.</p>
<p style="text-align:justify;">Os soldados riram alto, deram alguma ordem e a largaram por ali. Suas lágrimas vertiam como uma fonte de Versailles, e ela ficou tremendo por um bom tempo. Lentamente olhou de volta para o seu mundo e viu um cubo de metal em que uma das faces era uma porta aberta. Aquela era a sua casa, de onde nunca deveria ter saído. Se arrastou até lá, e se encolheu como quando criança, lembrando de toda a sua vida e desejando fervorosamente que tudo voltasse a ser como antes.</p>
<p style="text-align:justify;">Ficou feliz quando o fogo surgiu, porque lembrava as luzes que a acalentavam em dias ruins.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Quase perdi o prazo para entregar o conto de Junho da <strong>Liga Narrativa</strong>! Como resultado saiu esse meio às pressas, de uma ideia que me mosqueou durante o sono, mas pelo menos é limpinho. A Liga se trata de um grupo de malucos que se juntam para escrever contos mensais sobre temas pré-determinados. O tema de junho é &#8220;masmorras, calabouços e prisões&#8221;. Como o clichê de usar novamente a campanha para escrever o conto era tentador, resolvi só escrever quando saísse da caixa (tendeu? Tendeu? =P). Os outros contos escritos até agora:</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Allana (Brainstorm) &#8211; <a href="http://brainsstorm.wordpress.com/2010/06/12/grilhoes/" target="_blank">Grilhões</a></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Erick Patrick (RPG do Mestre) &#8211; <a href="http://rpgdm.erickpatrick.com/liga-narrativa-la-no-fundo/" target="_blank">Lá no Fundo</a> | <a href="http://rpgdm.erickpatrick.com/liga-narrativa-morrendo-pela-boca/" target="_blank">Morrendo pela Boca</a></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Juca 999 (Juca´s Blog) &#8211; <a href="http://jucasblog.wordpress.com/2010/06/28/liga-narrativa-jun-masmorras-advogado-do-diabo/" target="_blank">Advogado do Diabo</a></em></p>
</blockquote>
<br />Filed under: <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/drama/'>Drama</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/liga-narrativa/'>Liga Narrativa</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doiscontos.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doiscontos.wordpress.com/258/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doiscontos.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doiscontos.wordpress.com/258/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doiscontos.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doiscontos.wordpress.com/258/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doiscontos.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doiscontos.wordpress.com/258/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doiscontos.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doiscontos.wordpress.com/258/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doiscontos.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doiscontos.wordpress.com/258/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doiscontos.wordpress.com/258/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doiscontos.wordpress.com/258/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=258&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://doiscontos.wordpress.com/2010/06/30/in-vitro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/19d8516694d281818e5031159a2ed6f8?s=96&#38;d=wavatar&#38;r=X" medium="image">
			<media:title type="html">Dan Ramos</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Reflexos</title>
		<link>http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/27/reflexos/</link>
		<comments>http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/27/reflexos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 May 2010 06:04:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dan Ramos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Liga Narrativa]]></category>
		<category><![CDATA[Tormenta]]></category>
		<category><![CDATA[Belchion]]></category>
		<category><![CDATA[Bielefeld]]></category>
		<category><![CDATA[Drakkan]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Portsmouth]]></category>
		<category><![CDATA[Vingança]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://doiscontos.wordpress.com/?p=250</guid>
		<description><![CDATA[Ele não conseguia dormir. Estava em um leito confortável em um aposento bem aquecido do maior castelo sob suas posses, na maior das cidades que havia conquistado, com uma garota bonita e anônima repousando por perto e taças do melhor &#8230; <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/27/reflexos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=250&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Ele não conseguia dormir. Estava em um leito confortável em um aposento bem aquecido do maior castelo sob suas posses, na maior das cidades que havia conquistado, com uma garota bonita e anônima repousando por perto e taças do melhor vinho possível ao seu dispor. Mesmo assim, o sono não vinha. Nunca vinha, naqueles meses em que marchara pelo decadente reino de Bielefeld. Naquele tempo todo viajando sete léguas, desafiando cavaleiros, senhores e clérigos que não passavam de garbosos ostentadores de lanças e escudos que já viram dias melhores.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-250"></span>Nascera da lama, onde arrancou fama e fortuna dos inimigos em defesa de qualquer um, cavando nobreza por mérito. Sagrado cavaleiro, ele serviu por anos a Bielefeld, embora seu maior tesouro tenha vindo do inimigo – uma druidisa de coração ardente, saída de uma terra bárbara. Mas aqueles eram dias desleais. Seu tesouro era um bem proibido, e a própria fé é o que destrói – assim Khalmyr, deus da justiça, e sua igreja de homens gananciosos e corrompidos, ordenaram sua família à fogueira. Seu próprio senhor tentou tirar-lhe a vida, e sua terra tornou-se daninha. Havia perdido sua sela e sua espada, havia perdido seu castelo e sua princesa. Humilhado e fugido, como um cão, até ser acolhido pelos braços do reino vizinho, que já fora parte de Bielefeld, mas agora a odiava tanto quanto ele. Recebido como um irmão na casa de um antigo rival, pôde se recuperar e voltar a liderar homens. Seu escudo, talhado de branco e azul com barra e dois leões dourados, passou a ser apenas um leão vermelho e rampante em campo branco.</p>
<p style="text-align:justify;">Levantou com desânimo, vestindo suas peles e caminhando até a sacada. Saiu na noite gelada e contemplou mais uma vez a velha e combalida cidade, vazia e silenciosa exceto por um latido ou cantiga bêbeda ocasional, e além da muralha as planícies manchadas cuja neve ainda não conseguira trabalhar o suficiente para devolver a brancura. Muitos haviam morrido naquele cerco sangrento, chafurdando na lama sinistra que todas as batalhas proporcionavam, agonizando por semanas em uma infindável tensão, cavando possíveis túneis para transpor os muros e encontrando resistência nas espadas, balestras, rituais e magias dos inimigos. Flechas eram gastas por nada, as doenças matavam mais rápido que os clérigos conseguiam curar e o assédio se arrastava. Porém, poucos homens de Darius Drakkan deserdavam, porque o próprio era inabalável e traria uma vida mais justa para todas, como nunca os empolados cavaleiros de Bielefeld poderiam oferecer. De fato, nas cidades por onde passava, nobres e plebeus ressentidos de alguma forma com os poderes vigentes simpatizavam com a causa daquele senhor da guerra e não só lhe cediam passagem, como se aliavam sob sua bandeira. As primeiras cidades por onde passou foram dominadas praticamente em paz, com alguns apertos de mão e formações de alianças. Bielefeld, que era cortado ao meio por uma cadeia de montanhas, tinha visto toda a sua porção oriental ser conquistada com relativamente poucas batalhas e cercos. E Norm, naquele momento, era o último lugar que oferecia resistência.</p>
<p style="text-align:justify;">Decidiu caminhar pelos corredores do castelo. O frio, condizente com seu estado de espírito, era um bom companheiro. Não o acompanhava há algum tempo, enquanto pernoitava no castelo do conde de Benagore, durante uma nevasca que o surpreendera em campanha. Deixava todos os cortesãos desconfortáveis ao lotar o salão comunal com seus homens, algumas dezenas de mercenários organizados para os conflitos de fronteira, pois jamais os relegaria às alas dos serviçais. Festejava o vinho e a comida sem se importar com os olhares perniciosos e os cochichos velados, enquanto esquentava o corpo em uma das cadeiras imponente de espaldar alto do conde. Seu anfitrião era um homem enorme e intimidador, um bastardo que rachara o crânio do pai depois de tomar-lhe as terras com um esquadrão de lenhadores e patrulheiros, e agora achava graça do rebuliço que Drakkan e seus guerreiros causavam. Porém, subitamente o fogo se apagou e as portas abriram de chofre. Os homens foram às armas, mas o frio agarrou seus corações com garras cortantes e eles paralisaram ao ver a figura tenebrosa que aparecia à entrada do salão. Era um homem, mas parecia um fantasma enrolado em mantos, a mão ossuda de dedos oblongos segurando um cajado de madeira negra e platina. Drakkan demorou, mas reconheceu a face daquela entidade. Era um conhecido de épocas passadas, de sua juventude nas estradas da vida, quando a sua espada não tinha dono e seu ouro era efêmero. Era o mago chamado Belchion, um amigo que se perdera nos confins escuros do mundo e retornara com uma proposta.</p>
<p style="text-align:justify;">Sir Darius Drakkan era dono de uma tropa de quatro mil orcs. Um acordo com o misterioso Belchion, que agora andava ao seu lado, lhe deu as ferramentas necessárias para perpetrar a sua vingança. Muitos de seus homens recusaram imediatamente lutar ao lado da escória de pêlo cinzento e presas salientes, visto que alguns haviam até mesmo perdido algum ente querido nas lâminas de criaturas como estas – mas era necessário, e o cavaleiro levou consigo apenas aqueles que lutariam por ele sem objeções, deixando o restante nos lugares que dominava através de acordos de paz ou que decidiam juntar-se ao leão. Martelava e assolava o reino com seu exercito orc, representado pelo mestiço Shagrat, que também havia arrancado à força o respeito de seus consaguíneos. Certo dia, sua primeira filha vinda de um amor mais antigo e impossível, Leona, retornou de suas viagens liderando companheiros fiéis e se juntou ao pai. Mais tarde, descobriu que ela tinha um irmão gêmeo, um filho homem para continuar seu legado, justo entre aqueles que tentavam impedi-lo. Depois de muito trabalho, conseguiu trazê-lo para junto de si e até mesmo aqueles que lutavam junto com ele simpatizaram com seus esforços. De repente, Darius sentia que pertencia mais uma vez àquela terra.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele se agachou num pátio e agarrou um pouco de terra molhada e neve. Tanta paixão, tanto ardor, tanto desejo de fazer pagar por toda a dor sofrida. Muitos o aclamavam. Tinha ainda coração? Ainda lembrava o porquê de estar fazendo tudo aquilo? Não sabia quando seu genuíno desejo de ajudar aquele povo condenado pelo descaso e assombrado pela verdade se confundia com sua vingança e seu ódio dos hipócritas, tiranos e traidores que se escondiam atrás das muralhas e do veludo e do metal de seus cetros. Perguntou-se quando tudo escapou ao seu controle, com aliados e comandados que viam apenas a possibilidade de matar, saquear e estuprar, as alianças valorosas que lhes garantiriam honrarias e terras em um futuro novo reinado ou até mesmo o vantajoso fato de estar do lado vencedor de uma guerra. Quantos ele não havia obrigado a sentir o mesmo desespero que ele mesmo sentiu? Quantos vilões ele mesmo não teria criado, fazendo maldades em seu nome, às suas costas? Demônios entre seus lobos. Dentre os milhares de problemas, havia o impensável, focos de infestação mágica, venenosa e desconhecida entre suas tropas, mal que sua própria filha havia sucumbido (e a coisa a teria corrompido e se alastrado terrivelmente não fosse pela ajuda de uma druidisa, a mãe de seu neto). Começou a pensar mais uma vez, como em todas as noites de sono mal dormido, se havia mesmo valido a pena ter as assombrações que o seguiam, os fantasmas de tantos que se foram pelas consequências de suas próprias atitudes. Era sangue demais em suas mãos. Espesso, abundante, podre e amargo. Jamais conseguiria limpar sua alma.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de uma campanha rápida e eficaz, em apenas um ano Norm estava prestes a ser tomada. A famosa Ordem da Luz, pomposa irmandade de cavaleiros de Khalmyr que enfeitava a fama de Bielefeld, havia se juntado ao clero e provado que era pouco mais que um punhado de fidalgos com títulos e armaduras lustradas. Depois de algumas semanas, correram os boatos de que eles haviam dado um jeito de fugir. Os homens procuraram e acharam passagens secretas em ruínas subterrâneas, devidamente fechadas por rituais clericais poderosos. Afinal, a cidade não poderia ser invadida pelo mesmo caminho usado pelos gloriosos servos da justiça para abandonar seu povo. A poucos dias de viagem estava Carnagh, um dos reinos bérnios, pequenas nações que sobreviveram à colonização por ter um povo feroz e apegado aos costumes antigos da terra. Bielefeld os chamava de bárbaros e tentava tomar-lhes as terras, mas Drakkan era amigo desses homens – afinal, era viúvo de uma mulher cárnaga. Tarn, o rei, mandou seus homens e o poder de seus druidas, e assim as defesas foram abertas, com os portões de madeira se retorcendo e apodrecendo à plena vista, os fossos secando e as estacas trepando nas muralhas para espetar os arqueiros das passarelas. A fúria sobrepujou o medo, e a bandeira do leão foi hasteada em Norm.</p>
<p style="text-align:justify;">Darius titubeava. Talvez trocasse toda aquela glória por paz. Talvez a sua vontade se esvaísse como a areia e neve por entre seus dedos. Ele não deixaria o serviço pela metade, mas nunca mais conseguiria manter a consciência leve e pousar tranquilamente a cabeça em um travesseiro. Mal percebeu quando Belchion se aproximou.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>- Darius</em> – a voz era sepulcral, como se saísse de uma tumba de pesadelos.</p>
<p style="text-align:justify;">- Meu velho amigo – respondeu, sem tirar os olhos do chão.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>- O que o aflige?</em></p>
<p style="text-align:justify;">Drakkan deu um breve e amargurado sorriso. Pensou um pouco, e decidiu quebrar o silêncio.</p>
<p style="text-align:justify;">- O que estamos fazendo, Belchion? Até onde chegamos?</p>
<p style="text-align:justify;"><em>- Seja mais específico.</em></p>
<p style="text-align:justify;">- Quanto sangue precisa ser derramado para que a justiça seja feita? Até onde estamos dispostos a ir para destronar Hederick I, destruir sua família e tantas outras, deixar este reino em ruínas apenas para reconstruí-lo e ainda ter de lutar contra as tentativas de dominação do Velho Abutre?</p>
<p style="text-align:justify;"><em>- De fato, o rei Ferren quererá uma boa parcela do butim. Afinal, foi Porsmouth que o acolheu no passado, e ele jamais forneceria os homens que engrossaram nossas fileiras por acaso.</em></p>
<p style="text-align:justify;">- Pelos deuses, Belchion – sua voz ia de angústia a irritação. – Não é com ele que me preocupo, e sim com o peso da minha espada. Já há muito não sei se estou fazendo o certo, e não sei se a trilha de corpos é justa.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>- Não seja dramático, Darius. Você está agindo tal qual um garoto na frente de uma mulher. Está envergonhando o homem que você já foi. Você já deu o primeiro golpe, e Bielefeld está sangrando. Você é um idiota se está pensando nisso agora.</em></p>
<p style="text-align:justify;">As palavras de Belchion saíam desprovidas de respeito ou emoções, porém mais severas do que o habitual, e caso não estivesse com crescente resignação,m Drakkan se perguntaria se ainda restava algo de seu antigo amigo ali.</p>
<p style="text-align:justify;">- Não sei o que nos tornamos – Os dentes estavam cerrados. – Sequer sei o que <em>você</em> se tornou.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>- Não cabe a você saber. Vim aqui apenas para encerrar nossa breve e proveitosa parceria. Minhas obras em Kelgroth estão concluídas, e a maioria dos meus orcs voltará para lá. Deixarei uma pequena parcela de subordinados ao mestiço idiota com você, aquartelados naquele buraco onde estão agora. Como você está com a fraqueza da carne, aviso de antemão que não cruze nunca meu caminho. Adeus.</em></p>
<p style="text-align:justify;">A Drakkan coube apenas matar um rei bárbaro de presas enormes dentro da sua fortaleza nas montanhas centrais de Bielefeld, um lugar chamado Kelgroth, e assim convencer os orcs a aceitá-lo como seu general. Assim, Belchion lhe concedeu ajuda mágica, conselhos e estratégias úteis, e acima de tudo o medo necessário para que as criaturas fossem obedientes, enquanto ele mesmo ordenava parte delas a escavar <em>algo</em> entranhado nas montanhas. Não era mais da conta do cavaleiro, pelo visto, e agora ele tinha mais um peso nos ombros – teria sido responsável pelo despertar de algum mal terrível? Logo saberia.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas agora não. Agora ele deveria voltar para os aposentos e tentar esquecer-se de tudo por um momento, até que o inverno acabasse e ele pudesse terminar a sua guerra.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">Este é mais um post para a Liga Narrativa, um grupo de malucos que se juntam para escrever contos mensais sobre temas pré-determinados. O tema deste mês é <strong>herói</strong>. Eu não gostei muito, portanto fiz a mesma safadeza da maioria e juntei o útil ao agradável, escrevendo sobre um dos meus NPCs prediletos. Não usei a palavra &#8220;herói&#8221; no conto, preferi a livre interpretação. E peço perdão pela narrativa não-linear possivelmente confusa, mas como eu nunca serei um escritor profissional, deixa eu dar asas às minhas viagens, né?</p>
<p style="text-align:justify;">Mais sobre Darius Drakkan no conto <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2009/07/12/reminiscencias/" target="_blank">Reminiscências</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">Os outros contos:</p>
<p><em>Allana &#8211; <a href="http://brainsstorm.wordpress.com/2010/05/07/sobre-fantasmas-e-herois/" target="_blank">Sobre fantasmas e heróis</a></em></p>
<p><em>Elisa &#8211; <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/21/outro-dia-de-trabalho/" target="_blank">Outro dia de trabalho</a></em></p>
<p><em>Erick – <a href="http://rpgdm.erickpatrick.com/liga-narrativa-e-se/" target="_blank">A morte de um herói</a> </em></p>
<p><em>Ítalo – <a href="http://rascunhosdeumamente.blogspot.com/2010/05/justa-vinganca.html" target="_blank">Justa Vingança</a> </em></p>
<p><em>Juca &#8211; <a href="http://jucasblog.wordpress.com/2010/05/19/l-n-mai-heroi-o-cara/" target="_blank">O cara</a></em></p>
<p><em>Marlon &#8211; <a href="http://www.roleplayer.com.br/site/2010/05/liga-narrativa-maio/" target="_blank">Heróico Brado</a><br />
</em></p></blockquote>
<br />Filed under: <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/drama/'>Drama</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/liga-narrativa/'>Liga Narrativa</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/tormenta/'>Tormenta</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doiscontos.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doiscontos.wordpress.com/250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doiscontos.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doiscontos.wordpress.com/250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doiscontos.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doiscontos.wordpress.com/250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doiscontos.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doiscontos.wordpress.com/250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doiscontos.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doiscontos.wordpress.com/250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doiscontos.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doiscontos.wordpress.com/250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doiscontos.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doiscontos.wordpress.com/250/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=250&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/27/reflexos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/19d8516694d281818e5031159a2ed6f8?s=96&#38;d=wavatar&#38;r=X" medium="image">
			<media:title type="html">Dan Ramos</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Outro dia de trabalho</title>
		<link>http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/21/outro-dia-de-trabalho/</link>
		<comments>http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/21/outro-dia-de-trabalho/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 21 May 2010 22:25:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Horror]]></category>
		<category><![CDATA[Liga Narrativa]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>
		<category><![CDATA[heroismo]]></category>
		<category><![CDATA[may]]></category>
		<category><![CDATA[nilismo]]></category>
		<category><![CDATA[possessão]]></category>
		<category><![CDATA[Supernatural]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://doiscontos.wordpress.com/?p=239</guid>
		<description><![CDATA[Passou a mão na testa, pondo a franja para trás na esperança de que finalmente saísse de seus olhos, enquanto o restante dos cabelos compridos grudavam na nuca molhada de suor. As mãos tremiam levemente, fazendo o cano da arma &#8230; <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/21/outro-dia-de-trabalho/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=239&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Passou a mão na testa, pondo a franja para trás na esperança de que finalmente saísse de seus olhos, enquanto o restante dos cabelos compridos grudavam na nuca molhada de suor. As mãos tremiam levemente, fazendo o cano da arma oscilar. Podia ouvir o som da respiração assustada da médica logo mais à frente, imaginando que estivesse encolhida em um canto de parede. À sua esquerda, podia identificar claramente os passos exaustos de Jeff, como sempre de peito aberto indo de encontro ao perigo e se achando um Super-Homem. &#8220;Deus, esse babaca vai terminar se matando&#8221;, pensou. O ar ficou um pouco mais frio, arrepiando os pêlos de seu braço. Prendeu a respiração por um momento, sentiu a firmeza do armário de metal contra suas costas e em um movimento rápido se levantou.</p>
<p style="text-align:justify;">- Eu cubro você! Pegue a dra. Mishima. &#8211; gritou antes de disparar dois tiros com balas preenchidas de sal na direção do homem enorme que estava parado no meio da sala ao lusco-fusco da lâmpada que falhava.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-239"></span>Errou o primeiro, o segundo pegou de raspão. Detestava atirar &#8211; nunca tivera boa mira, armas de fogo eram algo que não a agradavam nem um pouco. Mas pelo menos deu certo: o zelador do hospital, que fora possuído por um espírito de luxúria e sanguinolência apenas olhando para uma moeda asteca, largou a pobre médica e tal qual um trator avançou outra vez na direção de Jeff, com as mãos em riste para estrangulá-lo. Desesperada, May buscou os olhos de Nick na luz incerta. Ele estava prestes a mais uma vez deixar os insitintos tomarem conta, como tinha feito em tantas outras ocasiões, e fazer uma loucura para salvar o irmão. Ela fez um gesto simples: &#8220;deixa comigo&#8221; e apontou para a arma dele. Após tantos meses juntos, Nick e May haviam conseguido desenvolver uma linguagem não-verbal eficiente para uma situação dessas. Queria dizer: &#8220;eu estou aqui ao seu lado e não vou sair&#8221;, só isso tudo. Em um momento como esse, um gesto tão simples fazia toda a diferença.</p>
<p style="text-align:justify;">Com cuidado para não fazer barulho, ela se aproximava por trás enquanto Nick disparava um tiro de sal após o outro. Jeff conseguiu se arrastar para longe do alcance das mãos do homem possuído, que voltou a cabeça para a fonte dos tiros incômodos e curvou os cantos da boca em um sorriso malicioso. Fez um gesto com uma das mãos e Nick foi arremessado contra a parede batendo com estrondo, seguido pelo o barulho metálico da sua arma caindo. Era a distração que ela esperava.</p>
<p style="text-align:justify;">Arremeteu para cima do homem com poderoso chute na altura de suas costelas. A massa de músculos virou-se para ela, os olhos injetados de ódio e crueldade. Exalava um cheiro de pólvora, pêlos e roupas chamuscados pelos tiros de sal à queima-roupa disparados um pouco antes por Jeff. As mãos, que eram enormes, cerraram para desferir um soco na face da garota.  A dor explodiu em seu olho esquerdo. Ela recuou um pouco, porque precisava de espaço para manobrar. Jogou todo seu peso em cima da perna esquerda pronta para desferir um golpe com a direita. O adversário preparou-se para defender o golpe em uma fração de segundo, dobrando sua coluna e protegendo a barriga com as mãos. Com um sorriso &#8211; ele estava onde ela queria -, May mudou o alvo e golpeou com as mãos juntas com toda a força na nuca desprotegida do homem, atordoando-o momentaneamente. Aproveitando a vantagem, a garota deu um passo na direção do flanco do opositor e posicionou os braços para um mata-leão. Ele resistiu, e deu-lhe uma cotovelada nas costelas, mas mesmo assim ela não afroxou seu abraço asfixiante.</p>
<p style="text-align:justify;">- Ajudem aqui! Rápido!</p>
<p style="text-align:justify;">Os rapazes vieram em seu auxílio. Com o trabalho em equipe finalmente desacordaram o pobre zelador, com sua resitência <em>literalmente </em>sobrenatural. May protegeu a mão com o tecido da camisa de Nick e revistou os bolsos do macacão do desacordado homem e logo tateou a moeda. Rapidamente Nick pegou a embalagem plástica cheia de sal e a abriu para a moeda ser depositada ainda embrulhada em sua camisa. Mesmo com o objeto ensacado os dois caçadores ainda tiveram a precaução de olhar para o lado oposto, para não serem também enfeitiçados. Agora era só trancar o artefato encrenqueiro em uma <em>caixa de pandora (</em>as caixas protegidas com feitiços onde os caçadores guardavam coisas perigosas) e tudo, pelo menos por hora, estaria resolvido.</p>
<p style="text-align:justify;">Saldo final: a médica ferida superficialmente, Jeff muito ferido precisando urgente de tratamento médico, May com uma costela fraturada e Nick com uma tonelada de remorso sobre seus ombros.</p>
<p style="text-align:justify;">- Nós somos terríveis. &#8211; disse May um pouco mais tarde enquanto estava deitada na cama do hospital e Jeff estava na UTI. &#8211; Se não fosse por nós a doutora não teria se machucado. Fomos negligentes com você, Nick, e seis pessoas morreram. Simplesmente porque fomos estúpidos demais para notar que a maldita moeda tinha te pego. A gente não serve para esse trabalho. Supostamente deveríamos ajudar as pessoas e por onde a gente passa só deixa corpos, feridos e famílias arrasadas.</p>
<p style="text-align:justify;">- Ora, May. Não dá pra salvar todo mundo. O trabalho é difícil, e só podemos tentar fazer a coisa certa, por cima das dificuldades, das dores e dos corpos deixados atrás de nós. O negócio é não desistir &#8211; tranquilizou Nick.</p>
<p style="text-align:justify;">- E por que devemos continuar? Quem disse que isso vale a pena? Não temos grana, família, não podemos ter uma vida. Tudo o que temos é isso: remorso, culpa, fugas de hospitais e corações partidos. Nem mesmo nos agradecem.</p>
<p style="text-align:justify;">- E você conseguiria simplesmente desistir sabendo que mais pessoas vão se machucar e morrer? As vidas de muitos serão fodidas como as nossas simplesmente porque ninguém estava lá para entrar num túmulo escuro ou caçar algo sedento de sangue?</p>
<p style="text-align:justify;">Ela parou por um longo minuto, suspirou, e finalmente falou:</p>
<p style="text-align:justify;">- Não. Eu TENHO que fazer alguma coisa a respeito.</p>
<p style="text-align:justify;">- Então, querida, bem-vinda ao deserto do real. &#8211; disse, depositando um suave beijo em sua testa. E saiu do quarto, deixando-a com seus pensamentos.</p>
<p style="text-align:justify;">A sino-americana sorriu e apoiou a cabeça no travesseiro, afinal ele estava certo. Eram três verdadeiros heróis fudidos, sem qualquer alento ou reconhecimento. Sentiam remorso por não poder salvar todos, mas mesmo assim insistiam em tentar até o último suspiro. E ainda diziam que a kriptonita do Super-Homem doía.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Este conto faz parte da iniciativa Liga Narrativa. O tema do mês de Maio é Heróis. Eu aproveitei para escrever sobre nossa campanha de WoD de caçadores, que vocês podem ter mais informações nesse blog <a href="http://potestadeblog.wordpress.com/">Potestade</a>. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Agora, eis os links dos contos dos outros colaboradores:</em></p>
<p><em>Juca &#8211; </em><a href="http://jucasblog.wordpress.com/2010/05/19/l-n-mai-heroi-o-cara/">http://jucasblog.wordpress.com/2010/05/19/l-n-mai-heroi-o-cara/</a></p>
<p><em>Allana &#8211; </em><a href="http://brainsstorm.wordpress.com/2010/05/07/sobre-fantasmas-e-herois/">http://brainsstorm.wordpress.com/2010/05/07/sobre-fantasmas-e-herois/</a></p>
<p><em>Erick &#8211; </em><a href="http://rpgdm.erickpatrick.com/liga-narrativa-e-se/">http://rpgdm.erickpatrick.com/liga-narrativa-e-se/</a></p>
<p><em>Ítalo &#8211; </em><a href="http://rascunhosdeumamente.blogspot.com/2010/05/justa-vinganca.html">http://rascunhosdeumamente.blogspot.com/2010/05/justa-vinganca.html</a></p>
<br />Filed under: <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/horror/'>Horror</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/liga-narrativa/'>Liga Narrativa</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/rpg/'>RPG</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doiscontos.wordpress.com/239/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doiscontos.wordpress.com/239/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doiscontos.wordpress.com/239/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doiscontos.wordpress.com/239/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doiscontos.wordpress.com/239/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doiscontos.wordpress.com/239/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doiscontos.wordpress.com/239/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doiscontos.wordpress.com/239/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doiscontos.wordpress.com/239/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doiscontos.wordpress.com/239/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doiscontos.wordpress.com/239/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doiscontos.wordpress.com/239/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doiscontos.wordpress.com/239/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doiscontos.wordpress.com/239/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=239&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/21/outro-dia-de-trabalho/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>10</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/7e51286796c43c79e33f5a9cd1e8687b?s=96&#38;d=wavatar&#38;r=X" medium="image">
			<media:title type="html">Elisa Guimarães</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Extinção eminente</title>
		<link>http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/10/extincao-eminente/</link>
		<comments>http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/10/extincao-eminente/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 10 May 2010 14:10:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[Liga Narrativa]]></category>
		<category><![CDATA[Cyberpunk]]></category>
		<category><![CDATA[prostituta]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://doiscontos.wordpress.com/?p=234</guid>
		<description><![CDATA[Estava sentada diante do espelho, mais uma vez, todas as noites era o mesmo ritual. Soltou um suspiro de chateação, olhou as unhas novamente. Aquela máquina estúpida havia usado o matiz errado mais uma vez e tentar consertar agora só &#8230; <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/10/extincao-eminente/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=234&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Estava sentada diante do espelho, mais uma vez, todas as noites era o mesmo ritual. Soltou um suspiro de chateação, olhou as unhas novamente. Aquela máquina estúpida havia usado o matiz errado mais uma vez e tentar consertar agora só mancharia ainda mais o verniz. Soltou uma imprecação e começou a abrir as gavetas e portinholas, pôs vários pequenos estojos sobre a mesa, um ao lado do outro. Abriu o primeiro fez uma careta e deixou de lado. Abriu o segundo, suspirou e começou a retirar com cuidado o gel que repousava no recipiente. Equilibrou com cuidado em cima do dedo indicador e esfregou no olho esquerdo. O tom acastanhado da íris absorveu rapidamente o gel translúcido e se tornou levemente amarelado. Piscou. Pegou outro estojo e dessa vez pegou uma pequena lente de contato, tão minúscula que facilmente se perderia se ela se distraísse. Abriu bem o olho direito e posicionou o objeto. O olho começou a lacrimejar ferozmente, pegou um spray e borrifou no olho aberto. Agora ambos os olhos tinham o mesmo tom castanho amarelado.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-234"></span>Detestava usar esse tipo de coisa nos olhos, mas hoje em dia, trabalhar nas ruas não era seguro sem esses artifícios. Qual garota seria maluca de sair de casa sem um infra-vermelho e raios x? A maior parte de suas colegas havia posto implantes oculares permanentes, mas só de pensar em ficar enfaixada e à mercê do açogueiro mais próximo a deixava com náuseas. Não tinha créditos suficientes para pagar um cirurgião decente. Afinal, a concorência com os ciborgues de entreterimento era desleal. No início da carreira não era bem assim. Todo mundo preferia uma humana porque sabia com quem estava lidando e o que podiam esperar. Mas agora com toda essa propaganda pró-andróide as pessoas deixaram de desconfiar deles. Precisava se conformar com a clientela mais velha apegada ao velho jeito de se fazer as coisas. Os velhos babões loucos de viagra, anfetaminas sintéticas e uísque resfolegando em cima dela. Sentiu a bile subir até a garganta, abriu rapidamente um estojo e buscou uma pequena ampola de plástico com uma amolada agulha, rapidamente a pressionou contra sua jugular. O líquido brilhou por um momento e desapareceu dentro de suas veias.</p>
<p>Um sorriso de prazer surgiu em seu rosto. Apertou três botões ao lado do molde do espelho. Abriu-se um compartimento com perucas multi-coloridas, escolheu a mais curta em tom azul bem forte. Ajeitou caprichosamente por cima de sua cabeça redonda e completamente careca. Borrifou com gosto um batom vermelho em seus lábios descorados. Ajustou os braceles de débito de créditos e prendeu com firmeza o pequeno aparelho misto de pulso eletromagnético e teaser em sua coxa direita.  Abotoou o último colchete do espartilho de látex, ajeitou a mini-saia e saiu para a noite abafada e suja do 6° andar.</p>
<p><em>Mais um texto para a iniciativa: Liga Narrativa. No caso esse é o tema do mês passado (Abril) e como podem ver, eu estou fora de timming. Os demais textos seguem abaixo:</em></p>
<p><em>Marlon -<a href="http://www.roleplayer.com.br/site/2010/04/liga-narrativa-abril/"> Segunda-feira</a></em></p>
<p><em>Jagunço &#8211; <a href="http://www.ofeudo.com.br/2010/04/liga-narrativa-abril-caos-283/">Caos 238</a></em></p>
<p><em>Allana &#8211; <a href="http://brainsstorm.wordpress.com/2010/04/24/synthetics/">Synthetics</a></em></p>
<p><em>Erick &#8211; <a href="http://rpgdm.erickpatrick.com/liga-narrativa-quando-as-luzes-se-apagam/?doing_wp_cron">Quando as Luzes se Apagam </a></em></p>
<p><em>Juca &#8211; <a href="http://jucasblog.wordpress.com/2010/04/26/ln-abr-cyberpunk-o-futuro-nao-e-mais-como-era-antigamente/">O futuro não é mais como era antigamente</a></em></p>
<p><em>Daniel &#8211; <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2010/04/27/frivolidade/">Frivolidade </a><br />
</em></p>
<br />Filed under: <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/fantasia/'>Fantasia</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/liga-narrativa/'>Liga Narrativa</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doiscontos.wordpress.com/234/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doiscontos.wordpress.com/234/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doiscontos.wordpress.com/234/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doiscontos.wordpress.com/234/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doiscontos.wordpress.com/234/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doiscontos.wordpress.com/234/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doiscontos.wordpress.com/234/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doiscontos.wordpress.com/234/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doiscontos.wordpress.com/234/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doiscontos.wordpress.com/234/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doiscontos.wordpress.com/234/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doiscontos.wordpress.com/234/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doiscontos.wordpress.com/234/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doiscontos.wordpress.com/234/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=234&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/10/extincao-eminente/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/7e51286796c43c79e33f5a9cd1e8687b?s=96&#38;d=wavatar&#38;r=X" medium="image">
			<media:title type="html">Elisa Guimarães</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A última refeição do rei</title>
		<link>http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/06/a-ultima-refeicao-do-rei/</link>
		<comments>http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/06/a-ultima-refeicao-do-rei/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 May 2010 14:56:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elisa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Horror]]></category>
		<category><![CDATA[Liga Narrativa]]></category>
		<category><![CDATA[banquete]]></category>
		<category><![CDATA[comida]]></category>
		<category><![CDATA[zumbi]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://doiscontos.wordpress.com/?p=226</guid>
		<description><![CDATA[Estava sentado em um canto da cozinha as costas doíam apoiadas contra o frio aço inoxidável da porta da despensa. Pelo menos a perna não doía mais tanto assim, se fechasse os olhos ainda podia sentir os dentes fortes e &#8230; <a href="http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/06/a-ultima-refeicao-do-rei/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=226&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Estava sentado em um canto da cozinha as costas doíam apoiadas contra o frio aço inoxidável da porta da despensa. Pelo menos a perna não doía mais tanto assim, se fechasse os olhos ainda podia sentir os dentes fortes e a mandíbula poderosa cerrando-se em sua panturilha macia. Quando era criança foi, certa vez, mordido por um buldogue, anos mais tarde viu um documentário informando que o impacto da mordida de um cão dessa raça era de aproximadamente 500 kg de força, ainda lembrava com clareza da força dessa mordida. Mas agora, comparando o cão da vizinha com o moleque insano que o mordera chegava a conclusão de que o pirralho era muito mais forte que o cachorro. Como, em que universo, um menino de mais ou menos 5 anos tem mais força nas articulação da mandíbula que um buldogue com seu maxilar de cadeado?</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-226"></span>Afinal o que diabos estava acontecendo ali? No início da semana tudo parecia normal, a rotina igual ao de sempre, compras, cozinha, brigas com o suis-chef do restaurante, a esposa descontente em casa, tudo no mesmo ritmo de sempre. Mesas cheias, reservas lotadas, críticas favoráveis aos seu pato com amoras e salada holandesa, críticas nem tão favoráveis assim ao tratamento dispensado aos auxiliares &#8220;di cocine&#8221;, e aos garçons. O que esperavam? Ele era a estrela daquele restaurante, em sua dura jornada rumo a ascenção havia enfrentado chefs com humores bem piores que o dele. Cozinhara como um louco para chegar até ali. A beleza da gastronomia era a harmonia completa entre todos os ingredientes e o ambiente e, isso, ele sabia fazer como ninguém. Alimentara duques, condes, reis, estrelas de Hollywood, astros do rock, divas de ópera, ministros e presidentes. Essa era sua arte, ele o melhor nela &#8211; o rei, e os demais seus súditos cuja função era servir. E, de repente, tudo mudou, o restaurante foi ficando vazio, então os primeiros chegaram. Alimentaram-se dos subalternos, ele &#8211; o maestro &#8211; deixou que os inferiores fossem o aperitivo. E ironia das ironias, agora eles é que buscavam sua carne suculenta.</p>
<p>Ouvia gritos muito ao longe, de tempos em tempos, depois de um período tudo virou silêncio. Começou a se sentir um pouco febril.</p>
<p>Pouco a pouco passos arrastados. O som de unhas arranhando o metal da porta. A leve tremura da estrutura de metal, ritmada, podia até tocar piano ao som daquele ritmo, constante e cadente. Sabia agora como as perdizes se sentiam quando a porta do viveiro estava emperrada e ele forçava sua entrada. Era inevitável, apenas uma questão de tempo. Consciente da sua própria finitude iminente decidiu preparar uma última refeição.</p>
<p>Levantou-se com dificuldade, a perna não respondia bem a seus comandos. Puxou a afiada faca que estava em seu avental. Pegou cebolas, tomates, um punhado de alecrim, cortou-os finamente, jogou vinagre balsâmico e reservou. Escolheu com cuidado as favas mais tenras, masserou-as com azeite e um pingo de creme azedo. Descascou e cortou em cubos belas mangas um pouco mais para verdes que para maduras, acrescentou uma lima e uma pitada de flor de sal. Meticulosamente e sem pressa, foi se despindo pouco, a pouco, dobrou as roupas ao seu lado. O som de dobraciças rangendo era crescente. Espalhou velas e as acendeu, uma a uma. Fez pequenos cortes em diagonal por suas pernas, braços, coxas, e barriga. Uma das dobradiças já estava arrebentada, podia ver as mãos ensanguentadas e sentir o hálito pútrido de carne em decomposição. Bebeu de um só fôlego três garrafas de cerveja escura de malte caramelado. Deitou-se, e começou a esfregar todos os temperos em sua pele, o vinagre fazia os cortes arderem, mas mesmo assim continuou. Como toque final jogou as mangas cortadas em cubos em um elaborado desenho sobre si.</p>
<p>A porta cedeu completamente e a despensa foi invadida. Os comedores de carne avançaram esfomeados em sua direção. Um leve tremor de medo percorreu seu corpo, mas ao sentir a primeira dentada penetrando sua carne não pode deixar de sorrir. Afinal era seu último banquete. Ele ainda era o chef, o rei do restaurante.</p>
<p><em>Este conto faz parte da iniciativa Liga Narrativa. O tema do mês de março foi Banquetes, e como podem ver estou bem atrasada. Eis os links dos contos dos outros colaboradores:</em></p>
<p><em>Marlon -</em><a href="http://www.roleplayer.com.br/site/2010/04/liga-narrativa-marco/">http://www.roleplayer.com.br/site/2010/04/liga-narrativa-marco/</a></p>
<p><em>Jagunço (Mário) &#8211; </em><a href="http://www.ofeudo.com.br/2010/03/liga-narrativa-marco/">http://www.ofeudo.com.br/2010/03/liga-narrativa-marco/</a></p>
<p><em>Juca &#8211; </em><a href="http://jucasblog.wordpress.com/2010/03/13/liga-narrativa-mar-%E2%80%93-banquete-fome/">http://jucasblog.wordpress.com/2010/03/13/liga-narrativa-mar-%E2%80%93-banquete-fome/</a></p>
<p><em>Allana &#8211; </em><a href="http://brainsstorm.wordpress.com/2010/04/08/fulfilled/">http://brainsstorm.wordpress.com/2010/04/08/fulfilled/</a></p>
<p><em>Erick &#8211; </em><a href="http://rpgdm.erickpatrick.com/liga-narrativa-virando-a-mesa/">http://rpgdm.erickpatrick.com/liga-narrativa-virando-a-mesa/</a></p>
<br />Filed under: <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/horror/'>Horror</a>, <a href='http://doiscontos.wordpress.com/category/liga-narrativa/'>Liga Narrativa</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/doiscontos.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/doiscontos.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/doiscontos.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/doiscontos.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/doiscontos.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/doiscontos.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/doiscontos.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/doiscontos.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/doiscontos.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/doiscontos.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/doiscontos.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/doiscontos.wordpress.com/226/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/doiscontos.wordpress.com/226/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/doiscontos.wordpress.com/226/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=doiscontos.wordpress.com&amp;blog=6634457&amp;post=226&amp;subd=doiscontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://doiscontos.wordpress.com/2010/05/06/a-ultima-refeicao-do-rei/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/7e51286796c43c79e33f5a9cd1e8687b?s=96&#38;d=wavatar&#38;r=X" medium="image">
			<media:title type="html">Elisa Guimarães</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>
