Este conto funciona melhor se você estiver ouvindo System Of A Down – B.Y.O.B. Obrigado.
WOOOOOSH!
O som dos planadores rasando por cima dos homens era quase ensurdecedor, mas Shin-ra não tava nem aí, deixava o harmonizador dos fones desligados e o rock rolando alto enquanto se divertia. Era o melhor no que fazia, e nada atrapalhava sua concentração.
A infantaria de merda percorria os becos fudidos daquela cidade em ruínas, sol vermelho castigando todo mundo, ruas de labirinto e escória em cada recanto, implorando pra morrer. A bateria do fuzil miava enquanto cuspia balas potentes de alto teor explosivo na cabeça de uma dezena de formas de vida escrotas.
Alguns outros caras do seu time passaram por ele, que deu uma bem-vinda cobertura – depois cobraria umas doses de cada um. Lá em cima, os rapazes da infantaria mecha explodiam as naves inimigas como caçadores atirando em patos, passando em vôos cortantes e levantando a poeira do deserto onde passavam. A vida é massa, pensou Shin-ra.
Em ritmo cadenciado, seu time perpassava o caminho e ia se infiltrando pela zona de batalha, circundando o centro da vila e epicentro da baderna. O soldado deu uma corrida curta, saltou para detrás de uma pilha grande de destroços onde alguns amigos se abrigavam, fez um sinal de positivo para outro time e jogou uma granada por cima da barricada. Acionou a câmera auxiliar em L na peça de armadura do cotovelo, e avistou a parábola certeira do projétil em direção ao exaustor de um mecha inimigo. Deu um assobio.
BOOOOOM! Lançamento perfeito.
Correram o mais rápido entre duas muretas e passaram por dentro de um prédio abandonado para atalhar o caminho, até que alcançaram a praça central do lugar, com uma catedral enorme de estilo gótico ao lado de um velho prédio da bolsa que um dia foi todo revestido de vidratum. Fizeram os sinais costumeiros, se prepararam para correr e alcançar a entrada secreta da base inimiga e detonar tudo por dentro, mas…
FWOMMMM! A explosão cegou e ensurdeceu completamente Shin-ra.
A armadura relatou poucos danos, mas ele sentia o chão embaixo de si desmoronando. Olhou ao redor, a vista ainda se acostumando, nanorrobôs reparando os ferimentos e eliminando os fosfenos. Estava em cima de um amontoado vacilante de metralha, uma ilha no meio de uma enorme cratera que desmoronava bem no meio da praça. Avistou sua acompanhante Niam, mas ela estava com a perna presa em uma enorme viga. Do fosso, emergia uma criatura colossal, com corpo filamentado de lagarto, gigantescas patas com garras e uma cabeçorra de dragão rugindo mais alto que todos os motores das redondezas. Mechas e caças planadores sobravam fogo na criatura, que os abatia como moscas usando as patas ou soprando lava quente em jorros inacreditáveis. A paisagem caótica ao redor de Shin-ra alternava entre fogo, explosões, areia e sol. O mundo tremulava.
Com um sorriso no rosto, deu um comando mental e o punho da armadura disparou um gancho fibrilador acoplado a uma corda de titânio fibroso, atingindo a viga de metal que prendia Niam com um silencioso crus. Levantou e pôs-se a puxar, enquanto a parceira ajudava ampliando a força e energia cinética em 10x no seu próprio traje de batalha, e empurrando os destroços. O soldado parou um pouco para atirar em alguns aliens que tentavam se aproveitar de sua distração, mas logo a garota pôde se libertar. Com um poderoso impulso, saltou e venceu a distância entre os dois, sendo recebida com um rápido abraço. Ambos acionaram suas jetpacks e levantaram voo, indo se juntar a um mecha acima de um dos telhados próximo da cabeça do dragão.
Entraram na unidade de combate Zeta 027B51 por um compartimento aberto entre uma rajada de gigametralhadora e outra, e assumiram o comando dos mísseis de ombro e pernas, e passaram a disparar. Aquilo já era quase rotineiro para Shin-ra, estava um nível acima. Quando o mecha voou em arco por cima do flanco da enorme criatura, mirou o míssil de ombro esquerdo num ponto-chave entre o olho direito e a têmpora, onde um ferimento previamente aberto deixava uma brecha. Disparou a arma, e o projétil mordeu a abertura e invadiu o corpo do monstro como um aríete, explodindo tudo entre a orelha e o cérebro do infeliz. Algumas naves foram pegas na trajetória de queda do lagarto, que levou todos os prédios ao redor ao chão.
- WO-HOOOO! É isso aí! – vibrou Niam. – E agora, Shin?
E aí aconteceu o que sempre acontecia. Do nada, de repente, Shin-ra perdia toda a confiança, toda a empolgação. Tudo começava muito fodástico, ele era o cara, mas no fim ele sempre percebia a verdade. Sempre notava que aquilo simplesmente não era o bastante.
- Agora acho que vou pra casa – bocejou Shin-ra. – Tô meio cansado disso, e já tá quase amanhecendo.
Sem muito entusiasmo, acionou mentalmente o comando EXIT da armadura e acordou, em uma das muitas cadeiras da enorme sala redonda de paredes revestidas de metal. Não que precisasse, mas aceitou a ajuda do operador para tirar o projetor (uma peça simples e semicircular de plástico, lembrando fones de ouvido mas não encostando no corpo) de perto da cabeça. Levantou, pagou pela noite e saiu.
Lá fora, enquanto amanhecia e Shin-ra ligava a moto, percebeu que precisava de mais. Talvez fosse a hora das festas hardcore de verdade.
Ele ia se alistar.
Eis que no meio da correria tomo um punch de inspiração e simplesmente vomito o meu conto de abril (sim, abril!) da Liga Narrativa, um coletivo de blogueiros escrevendo tematicamente. Todos sem tempo, por isso temos pensado em mudar a política da parada. Mas é como se diz, tarda mas não falha, né?
O tema desta vez foi Festas. Meu conto foi praticamente um trocadalho! XD
Saca só os outros participantes, nem de perto tão atrasados como eu:
Italo – Cylon Party
Mário (Jagunço) – Diálogos Feéricos
Marlon – Fim de festa
Elisa – Party
Allana – Aniversários
3:16 Festinha da Angélica! kkkkk Muito bacana, to na vibe de SyFy com o Falling Skies e 3:16 portanto só tenho a aplaudir, bem bacana o personagem, o conto e o fim estilo MMORPG do futuro.