O som cadenciado da bateria ribombava em seus ouvidos. O suor grudava os cabelos curtos em sua nuca, podia sentir o leve amargo da cerveja em sua língua e a queimação da vodca barata em sua garganta – flaming asshole. A boca seca, a sensação do couro falso da minissaia apertando as coxas, o carinho íntimo da pele áspera sintética contra a maciez de sua pele viva. O corpo balançava ao ritmo das guitarras e das notas altas emitidas pelo vocalista. Um rapaz de cabelos roxos brilhantes esbarrou de leve, sem querer, em seu cotovelo. Os olhos dela voltaram-se para ele ao sentir as milhares de faíscas dançarem quentes sobre seus poros, a sensação do calor percorrendo o braço, passeando pelas costas, dançando em círculos quentes até se desfazer em prazer entre suas pernas.
A mão fria de seu acompanhante tocou seu ombro chamando sua atenção para o rosto meio oculto pelas luzes intermitentes e brilhantes da casa de shows. Pequenas fagulhas geladas arrepiaram os pelos de seu braço a partir do ponto em que ele a tocava, passeavam na pele, e o arrepio enrijecia seus mamilos. Ela sorriu, sem sentir que o fazia, os lábios carnudos pintados de um preto desbotando. Ela aproximou-se. O rapaz de olhos negros e pele pálida passou o braço em sua cintura, trazendo-a mais para junto de si. Cheirava a uísque e tabaco. Abraçou-o, o corpo tremendo de prazer. A respiração quente junto à nuca dele. Inclinou a cabeça para trás. Um riff de guitarra soou misteriosamente alto, os acordes poderosos, preenchendo o ambiente de vida e fúria. As notas pouco a pouco foram se tornando ondas, cores, tudo brilhava e piscava, era difícil enxergar qualquer coisa além das borboletas de som.
Sentiu lábios frios e macios beijando seu pescoço, traçando a linha da mandíbula, descendo até a clavícula. Uma sensação maravilhosa a preencheu… Fúria, som, luz, sombras, confundiam-se a sua volta. Ela era o centro, o cerne, cavalgava a tempestade, era o furacão em pessoa. O turbilhão girava ao redor dela, dentro dela e a atravessava. Era melhor que tudo que já experimentara…
Parecia que ia morrer, a cabeça doía, a luz a deixava pior, o estômago revirava e se contraía de um modo doloroso. O gosto amargo de bile estava em sua boca seca, a garganta ardia. Levantou-se com dificuldade do chão molhado. Com dificuldade, mancando foi se afastando do clube, um inferninho do centro da cidade. Olhou ao redor e pôde ver que não havia sido a única a se encontrar nessa situação confusa. Seu pescoço doía e se sentia fraca. Alisou os cabelos para trás com uma das mãos.
É, aquela foi uma bela festa, verdadeiramente memorável, até a semana seguinte.
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Este pequeno conto é parte da Liga Narrativa, uma confraria de blogs unidos pelo prazer de contar histórias. Apesar do atraso fantástico de quase dois meses essa é minha pequena contribuição para o tema: Festas
Italo – Cylon Party
Mário (Jagunço) – Diálogos Feéricos
Marlon – Fim de festa
Allana – Aniversários
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