Niílico

Era talentoso
Mas não tinha sorte
Cercado de hostis
Onde quer que fosse
A quem recorrer não havia
Pois era sozinho
Um dia simplesmente sumiu
E nunca mais se preocupou com nada.

Temporis Tenebrae – Prólogo – Gelo

DanEm fevereiro de 2009, escrevi um fragmento de conto nada pretencioso e bem maluco para uma ideia que ainda pairava quase sem forma na mente, intitulado “Gelo”. Ninguém entendeu, deveras, e como eu não continuei ficou por isso mesmo. Só que agora estou narrando estórias contemporâneas (uma crônica de RPG em Supernatural usando Mundo das Trevas/Storytelling), a empolgação mudou e agora as ideias fervilham na mente. Portanto, me obriguei a começar de verdade esse grande conto dividido em capítulos organizando antes de mais nada esse prólogo, transformando ele em algo mais palatável, contextualizado. O título da série é provisório (Temporis Tenebrae foi a coisa mais atraente que me veio na cabeça), mas o tal prólogo melhorado está aí para apreciação. Espero que gostem, e dessa vez prometo continuar.

Atlanta, Geórgia.

Enquanto a moderna e vasta cidade seguia o ritmo frenético da noite, o bairro de Grove Park dormia, iluminada apenas pelas luzes faiscantes no horizonte. Havia sido um dia pesado para Alice, cuidando do inferno que a loja se tornava com o fim do ano. Ao ajeitar o aquecedor e se enfiar nos lençois, pensava nas compras de natal ainda não feitas e na habitual visita ao túmulo do marido. Ao menos só ia nevar em janeiro.

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Confissões

ElisaDecidi confessar meus problemas, dúvidas e pecados para assim ficar mais leve e deixar as nuvens negras para trás. Ultimamente várias dessas nuvens negras de tempestade pairaram sobre minha cabeça despejando muita água gelada e um bocado de granizo, mas a chuva amainou, e o tom das nuvens clareou então espero que em breve o sol saia para aquecer meu corpo gelado e secar meus cabelos e roupas encharcados.  Ninguém pode viver sempre sob o sol e problemas são parte da nossa vida, mas espero que agora meus problemas permitam-me a continuar seguindo em frente. Minha mãe costuma dizer que é burrice agir como eu – ser pega de surpresa e precisar de um longo tempo para digerir meus reveses e apenas então agir. De qualquer forma a reflexão dessa vez será partihada.

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Doce Veneno – Parte 2

Elisa

Para quem não viu a primeira parte da saga de Liana, a ladra assassina de sangue demoníaco clique aqui e veja.

Os meses se passaram com tranqüilidade, graças a Liana a posição do grão-mestre estava assegurada por mais um bom tempo. Com a ajuda de sua nova amante e protegida o corpulento dono do submundo da cidade eliminou um por um aqueles que um dia tramaram sua queda. A vida da jovem assassina se tornou bem confortável. Vivia em meio ao luxo e a opulência. Entretanto a natureza de Liana não era a de uma simples serva ou subalterna.

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Mais perto do paraíso

Elisa

” – O que são os homens?
- São estrelas que vivem na Terra para aprenderem uma lição.
- Como os homens poderão voltar a se ver como estrelas?
- Quando um homem deixa de ser só e se une a outro ser humano.”

As mãos se tocam, palma com palma, dedos entrelaçados. O toque da pele das palmas, um calor delicioso percorre as mãos, as energias fluem de um para o outro. Carinho e estima, os dedos se separam levemente para acariciar a pele do outro.

Uma mão puxa a outra para mais perto de si. As mãos próximas ao corpo. As partes do todo se separam, deixam de ser mãos-dadas e se tornam independentes, lânguidas e soltas. Os braços se levantam e se pronunciam. Os braços abertos abarcam o corpo. Um abraço. Sentir o ritmo da respiração e o bater do coração, rostos próximos, bochechas coladas, a pele quente e delicada exala o perfume da sedução.

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O Rei Acorrentado

DanSó pra não deixar o blog sem nada da minha parte (ocupado pra dedéu), uma pequena lenda que usarei com um monstro na minha campanha. Ela foi tirada da Dragonslayer 07, e o autor do texto original é o MEDC. Não reparem na mistura horrorosa de norma culta com coloquial, é que vou brincando com os termos à medida que dá vontade.

Meus estimados convivas, agradáveis companheiros de copo, como sois todos corajosos de estar em uma taverna no fim do mundo em uma noite gélida e agourenta como esta, brindar-vos-ei com uma estória que me vem ao pensamento já que o frio eregela nossos ossos podres. Teus próprios corações hão de julgar se tal narrativa faz-se ou não verdadeira.

Pois bem. Taverneira, maldita, enche a minha taça e que vá às favas a ladainha. Segura a taça, rapariga, enquanto ao alaúde dedilho os acordes.

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Doce veneno

ElisaA luz da lua se infiltrava através da fresta entre as cortinas. Iluminava parcialmente o aposento, deixava seu um aspecto bruxuleante e fantasmagórico. Parada ao lado da janela estava uma jovem, completamente nua, a luz do luar em seus seios firmes e fartos, sua pele aveludada clara e muito pálida brilhando devido ao suor. Ela ajeitou os cabelos sedosos que cascateavam em torno dos ombros. Deu um breve sorriso, exalando um suspiro, mordiscou levemente seu carnudo lábio inferior com um canino protuberante e muito branco. Um pequeno filete de sangue verteu do ponto em que sua presa pressionava a pele delicada, manchando a doce boca cor de cereja, distraidamente lambeu o sangue que escorria. Deteve-se um momento para apreciar seu gosto ferroso. Em seus olhos acinzentados e levemente amendoados queimava a chama do desejo e seu olhar era pura malícia. Olhou para trás e seguiu em direção a cama. Andava sinuosamente, o quadril balançando levemente de um lado para o outro no ritmo compassado de seus passos. Nas costas, mais precisamente nas delicadas escápulas surgia um par de asas coriáceas. As pernas firmes e bem torneadas. Era definitivamente uma mulher por quem valia a pena matar ou morrer…

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Educar deseducando

ElisaSemana passada eu vi uma reportagem em um jornal vespertino sobre uma mãe movendo um processo contra a professora de seu filho por tê-lo “humilhado publicamente” e o obrigado a pintar a parede, que o próprio pichou, na escola recém pintada em multirão comunitãrio. Acho a atitude dessa mãe absurda.O moleque picha a escola, recebe o castigo e depois fica com “vergonha” de frequentar a escola? Tenha dó. Educar tem a ver com ensinar as pessoas a terem responsabilidade completa sobre seus atos e palavras. Ser zoado na escola porque sofreu um castigo faz parte da formação do moleque. A mãe deixando essa criatura em casa só porque está envergonhado está alimentando a vagabundice do pirralho. É na adolescência e infância que nossas carapaças se fortalecem para enfrentar a vida adulta. Adultos são humilhados todos os dias no trabalho, e devem continuar com o sorriso no rosto e trabalhar bem.

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Carta de despedida

ElisaOlá,

Iniciei e rasguei essa carta milhares de vezes e, por fim, decidi terminá-la.

Tive sérios problemas nos últimos tempos, por isso relutei tanto em procurar você. Sei que agora é tarde demais e tudo que existia entre nós perdeu o sentido, ou deveria ter perdido. Eu precisava deixar você, sei que não falei contigo, simplesmente saí pela porta e não voltei mais.  Mas acho que tudo o que aconteceu foi culpa nossa, não consigo pensar em Deus como um filha-da-puta sádico – na verdade ele deve ser sádico, mas imagino que seja mais sutil.

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Favourite game

DanI don’t know what you’re looking for
You haven’t found it baby, thats for sure
You rip me off, you spread me all around
In the dust of a deartide?

Ainda bem que mandei consertar o rádio do carro ontem – essa música quase se parece com o que está acontecendo agora. Giro as chaves, ponho os óculos escuros e meto o pé na tábua, expressão de foda-se estampada.

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